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Exames de DNA confirmam crime de menores e adulto em estupro coletivo no PI

Boletins de ocorrência envolvendo um dos menores acusados do estupro coletivo em Castelo do Piauí - Fábio Braga/Folhapress
Boletins de ocorrência envolvendo um dos menores acusados do estupro coletivo em Castelo do Piauí Imagem: Fábio Braga/Folhapress

Aliny Gama

Do UOL, em Maceió

24/06/2015 16h05Atualizada em 24/06/2015 16h05

Exames de DNA comprovaram a presença de material genético de três dos cinco acusados de participação no estupro coletivo em Castelo do Piauí, região norte do Piauí, ocorrido no dia 27 de maio. Segundo a polícia, foram detectadas as presenças de sêmen e de sangue de dois adolescentes e de Adão José da Silva Sousa, 40, nas provas enviadas para análise no Recife.

A informação foi confirmada, nesta quarta-feira (24), pelo delegado que investiga o caso, Laércio Evangelista. Ele e outras 18 pessoas prestaram depoimento ao juiz Leonardo Brasileiro e ao promotor de Justiça Cesário de Oliveira no fórum de Castelo do Piauí para ajudar a esclarecer o crime.

As garotas atacadas pelo grupo têm idades entre 15 e 17 anos e subiam o Morro do Garrote quando foram dominadas, amarradas em árvores e espancadas, levando pontapés, pedradas e pauladas. Depois, enquanto estavam desacordadas, foram estupradas, arrastadas e jogadas de cima de um penhasco da altura de um prédio de três andares. 

Apesar de confirmar a presença de material genético de apenas três dos cinco acusados no exame de DNA forense, a polícia informou que outras provas periciais comprovam que os cinco participaram do estupro coletivo e do espancamento nas garotas. 

Foram realizados exames periciais em vestuários das vítimas e dos acusados e em objetos encontrados no local do crime, além de exames sexológicos.

“Pela análise de todo o conjunto pericial não há dúvida de que os cinco cometeram toda a sessão de horror com as meninas. O resultado dos exames de DNA, que deixou dois adolescentes de fora, não significa que eles não tenham participado do estupro. O que pode ter ocorrido é os dois adolescentes não terem deixado material genético ou ainda que esse material, por ter sido em pouca quantidade, tenha se perdido devido ao tempo quando a coleta foi feita”, disse o delegado.

Depoimento das vítimas

Danielly Rodrigues, 17, morreu no último dia 7. Outra jovem continua internada no HUT (Hospital de Urgência de Teresina), pois teve afundamento craniano e perda de massa encefálica. Ela não corre mais risco de morte.

A audiência de hoje faz parte do julgamento dos menores, que devem receber a sentença condenatória em até 45 dias. O prazo termina no dia 11 de julho.

Nesta quinta-feira (25), as vítimas prestam depoimento, em local não divulgado para não expor as jovens.

O MPE denunciou os menores à Justiça por atos infracionais análogos a estupro qualificado (contra menor de 18 anos), homicídio com cinco qualificadores (motivo torpe, tortura acometida por meio cruel, impossibilidade de defesa das vítimas, ocultação do crime de estupro e feminicídio), tentativa de homicídio e associação criminosa. Caso sejam condenados, os adolescentes só poderão ficar internados por até três anos, cumprindo medidas socioeducativas no CEM (Centro Educacional Masculino).

Sousa, único adulto envolvido, foi denunciado por porte ilegal de arma, estupro qualificado (contra menor de 18 anos), homicídio com cinco qualificadores (motivo torpe, tortura acometida por meio cruel, impossibilidade de defesa das vitimas, ocultação do crime de estupro e feminicídio), tentativa de homicídio, corrupção de menores e associação criminosa com aumento de pena por envolvimento de menores. Caso seja condenado por todos os crimes que constam na acusação, ele poderá pegar 151 anos e 10 meses de prisão, segundo cálculos do MPE.

O delegado destacou ainda que os quatro adolescentes confessaram, em depoimentos prestados à polícia, que participaram do crime e que teriam sido liderados por Sousa.

“O Adão não confessou o crime e disse que estava disposto a realizar exames de DNA para provar que era inocente. A negativa dele foi derrubada com o resultado do exame”, afirmou Evangelista.

Atualmente, os menores estão apreendidos no Ceip (Centro Educacional de Internação Provisória), na zona sudeste de Teresina. Eles estão isolados dos demais infratores para zelar por sua integridade física.

Sousa está preso no isolamento do Presídio Carlos Gomes, localizado em Altos (região metropolitana de Teresina). Ele não foi colocado em celas dos pavilhões porque os presos já ameaçaram matá-lo.

O UOL tentou contato com os dois defensores públicos dos menores, mas não conseguiu. Os telefones estavam desligados.

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