Força Nacional vai para região de conflito entre índios e ruralistas em MS

Celso Bejarano

Colaboração para o UOL, em Campo Grande

O ministro Alexandre de Moraes (Justiça) determinou o envio da tropa da Força Nacional de Segurança para Caarapó, cidade de Mato Grosso do Sul, onde um índio morreu baleado e outros seis, entre os quais um garoto de 12 anos de idade, ficaram feridos, ontem, terça-feira (14), durante um suposto confronto com fazendeiros da região. A informação foi anunciada nesta quarta-feira (15) à tarde pela assessoria de imprensa do governo de MS, que havia solicitado o reforço, e confirmada pelo ministério.

Também seguem para o local, parlamentares que integram a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. Índios guarani-kaiowás ocuparam no domingo uma fazenda da região e isso provocou a reação dos ruralistas, que teriam avançado contra o grupo e efetuado disparos. Até o início da noite desta quarta-feira nenhum dos atiradores tinha sido preso ou identificado.

O corpo do índio que morreu baleado, o agente de saúde da aldeia, Cloudione Rodrigues de Souza, 26, foi levado no início da noite da terça-feira para a área ocupada, fazenda Yvu, onde os guarani-kaiowá pretendem enterrá-lo. Os cinco índios feridos, entre eles o menino de 12 anos e uma professora da aldeia, índia, permanecem internados.

Resgate

Na tarde desta quarta-feira, policiais federais convenceram os índios a devolverem três pistolas, uma escopeta e coletes a prova de bala que os guarani-kaiowás tinham tomado de policiais militares que seguiam para a fazenda ocupada no dia do episódio.

O caso 

Hélio Freitas/CampoGrandeNews
Índio guarani-kaiowá mostra balas encontradas na área onde ocorreu o conflito entre índiosi e ruralistas no interior do Mato Grosso do Sul
Ânimos de índios e fazendeiros se exaltaram a partir de domingo, assim que cerca de 100 famílias de guarani-kaiowá ocuparam a fazenda Yvu, colada à aldeia Tey'i Kuê, distante 10 quilômetros da cidade de Caarapó.

A área é reivindicada pelos índios há décadas. Em maio, ainda sob a gestão da presidente afastada Dilma Roussef, o governo federal determinou que fosse feito um estudo de identificação e delimitação da terra.

Reações

A Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul) emitiu uma nota em que diz lamentar a morte do índio, mas pede que direitos de produtores rurais sejam mantidos.

No comunicado, a entidade ruralista diz ainda que: "é necessária uma atuação direta do Poder Público para fornecer uma solução definitiva ao conflito, que atingiu níveis de insuportabilidade e insegurança jurídica. Solução esta que resguarde os direitos dos produtores rurais, que adquiriram as áreas de forma legítima, tanto para este caso quanto para as 110 propriedades invadidas em Mato Grosso do Sul".

Ação paramilitar

Já o Cimi (Conselho Indigenista Missionário), entidade ligada à igreja católica, também em nota publicada nesta terça-feira, repudiou a "ação paramilitar realizada contra famílias do povo guarani-kaiowá".

"Constatamos, com preocupação, que ações paraestatais realizadas por setores do agronegócio tem sido recorrentes no Mato Grosso do Sul", afirma a nota do Cimi

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