Violência em São Paulo

Comerciante do interior de SP é acusado de homofobia após dar soco em mulher

Eduardo Schiavoni

Colaboração para o UOL, em Ribeirão Preto

  • Arquivo pessoal

    Taíse Cristina Roberta de Oliveira, 24, mostra o lábio cortado após levar um soco de um conhecido. Ela o acusa de homofobia

    Taíse Cristina Roberta de Oliveira, 24, mostra o lábio cortado após levar um soco de um conhecido. Ela o acusa de homofobia

Uma mulher de 24 anos que estava de mãos dados com a namorada denunciou um homem após ter levado um soco na boca durante um show de rock em Piratininga (SP). Antes da agressão, ela afirmou ainda ter sido chamada de  "vagabundas lésbicas" pelo agressor. O caso foi registrado como lesão corporal e o homem chegou a ser detido, mas foi ouvido e liberado para responder em liberdade. À polícia, informou que, por ter misturado remédios com bebida, não se lembra do ocorrido.

A agressão ocorreu por volta das 22h de domingo (10) e foi registrada na tarde de segunda-feira (11). A autônoma Taíse Cristina Roberta de Oliveira, 24, estava em companhia da namorada, a vendedora Fernanda Cristina Rocha, 21, quando foi abordada pelo comerciante Sérgio Rosa, 27, após deixarem o banheiro.

"Ele xingou a gente de vagabundas lésbicas, de sem vergonha, foram várias palavras desse tipo. Ai ele partiu pra cima da minha namorada para dar um soco nela, mas eu entrei na frente e acabei levando o golpe", conta Taíse.

Com a confusão, populares que estavam nas proximidades ameaçaram agredir Rosa, que deixou rapidamente o local. A PM (Polícia Militar) foi chamada e, depois de aproximadamente meia hora, conseguiu localizar o agressor, que ainda estava no local. "A polícia separou ele do lugar onde a gente estava e, como a delegacia não funciona de noite, pediu que a gente registrasse o caso na segunda-feira. Mas ele só foi retirado de perto da gente, não foi preso nem nada", conta Fernanda.

Crime

Rosa responderá por lesão corporal e também por injúria. Se condenado, está sujeito a penas que chegam a três anos de prisão. A reportagem tentou falar com o acusado, mas ele não atendeu às ligações nem retornou os recados deixados em seu celular.

De acordo com o delegado Francisco Bromati Filho, o acusado foi ouvido na tarde desta terça-feira (12) e alegou que tomava remédios controlados e, no domingo, acabou ingerindo bebida alcoólica. "Ele disse que não se lembra de praticamente nada. De toda forma, o caso já foi enviado à Justiça, que decidirá a eventual pena", conta.

História

Fernanda relatou ainda que conhece o acusado e que, há alguns anos, ele chegou a tentar um envolvimento romântico com ela. "Eu expliquei minha opção sexual, mas acho que ele não aceita. Ele costuma postar mensagens homofóbicas nas redes sociais e ficou incomodado de ver duas garotas juntas", conta ela.

Fernanda e Taíse também prestaram depoimento e fizeram questão de relatar, no boletim de ocorrência, o que consideram como motivação homofóbica da agressão. "Ele nos xingou porque estávamos de mãos dadas. Não queremos confusão, mas queremos justiça. Não é possível que esse tipo de coisa ainda aconteça", disse Fernanda.

Já Taíse relatou que foi a primeira agressão sofrida por conta de sua opção sexual. "A gente nunca imagina que vai acontecer com a gente, mas foi exatamente o que aconteceu. Espero que ele seja punido", disse ela, que já fez exame de corpo de delito e aguarda a decisão da Justiça. "Agora é esperar".

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