Após queda de helicóptero, polícia faz operação na Cidade de Deus

Do UOL, em São Paulo

A Polícia Militar do Rio de Janeiro iniciou neste domingo (20) uma operação por tempo indeterminado na Cidade de Deus, favela da zona oeste da cidade em que um helicóptero da PM caiu no sábado, matando quatro policiais. Pelo menos três homens foram presos durante a ação neste domingo. Um deles estava com três fuzis e duas pistolas, segundo a PM. O caso foi encaminhado à 32ª DP (Taquara).

A decisão de ocupar a favela por tempo indeterminado foi tomada pela cúpula de Segurança do Rio, que se reuniu após o acidente ainda na noite de sábado. Nesta manhã, pelo menos sete corpos foram encontrados no interior da comunidade.

O ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, ofereceu apoio à Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro na operação. Em nota, Moraes informou que ofereceu o aparato da Força Nacional de Segurança que está no Rio para auxiliar nas ações que estão sendo realizadas na comunidade.

José Lucena/Futura Press/Estadão Conteúdo
Polícia Militar faz operação na Cidade de Deus, no Rio de Janeiro (RJ)

Ainda não se sabe se a aeronave sofreu uma pane ou foi atingida por criminosos. Embora a queda tenha ocorrido em meio a confrontos entre policiais, traficantes e milicianos, a principal hipótese é que o helicóptero tenha sofrido uma pane. Segundo o Instituto Médico-Legal, os policiais morreram devido à queda e não foram atingidos por nenhum disparo.

O acidente resultou na morte do major Rogério Melo Costa, 36, do capitão William de Freitas Schorcht, 37, do subtenente Camilo Barbosa Carvalho, 39, e do sargento Rogério Felix Rainha, 39. Os corpos chegaram no início da madrugada ao Instituto Médico-Legal. 

Uma equipe da PM sobrevoou de helicóptero e lançou pétalas de rosas durante o velório coletivo de três dos quatro PMs mortos. O velório ocorreu no Salão Nobre do Batalhão de Choque e foi restrito aos parentes e amigos dos policiais..

O corpo do capitão e piloto do helicóptero Willian de Freitas Schorcht, de 37 anos, seguiu direto para Resende, na Região Sul Fluminense, onde vive a família, e será enterrado neste domingo.

O presidente Michel Temer usou sua conta oficial do Twitter para lamentar a morte dos policiais. "Lamentável a morte dos 4 PMs que cumpriam o seu dever durante operação no Rio de Janeiro. A minha solidariedade aos familiares e amigos", disse.

O governador Luiz Fernando Pezão decretou luto oficial por três dias pelas mortes dos PMs. "Reconhecemos e agradecemos a dedicação da Polícia Militar no combate ao crime e, em especial, dos policiais que perderam a vida no exercício de proteger e defender a sociedade. Expresso meus sentimentos aos parentes e amigos dos militares. Vamos seguir em frente em defesa dos cidadãos fluminenses", afirmou o governador.

Operação por tempo indeterminado

Na manhã deste domingo, enquanto policiais militares circulavam com apoio de blindados, pessoas faziam barricadas incendiando lixo. Foram registrados novos confrontos entre criminosos e policiais. Por causa da atuação da polícia no local, algumas ruas estavam interditadas. A Estrada dos Bandeirantes, a Estrada do Gabinal e a Linha Amarela eram opções aos que transitavam pela região. 

A Linha Amarela, via expressa que liga as zonas norte e oeste do Rio, chegou a ser fechada duas vezes devido aos tiroteios.

Alfredo Mergulhão/UOL
O velório de três policiais ocorre na tarde deste domingo (20) no Batalhão de Choque

Desde a sexta-feira (18) foram registrados intensos confrontos entre criminosos da favela Cidade de Deus. Na manhã de sábado, eles voltaram a se enfrentar e traficantes bloquearam a avenida Edgard Werneck, que é a principal da Cidade de Deus, onde fica a base da UPP, com pneus e lixeiras incendiados. Policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) trocaram tiros com os criminosos. 

Nas redes sociais, moradores relataram o dia de tiroteios. "A bala tá comendo na CDD. Só escuto os cara da Bope [Batalhão de Operações Policiais Especiais] gritando: 'Sai da rua morador'", escreveu um rapaz, uma hora antes de o helicóptero cair. Um traficante postou uma foto, com um fuzil. "Nada mudou. Nós 'tá' na pista", escreveu.

Marcelo Carnaval/Agência O Globo
Peritos analisam peças de helicóptero da PM que caiu no Rio de Janeiro

Após a queda do helicóptero, a PM lamentou a morte dos policiais. "A Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro lamenta o falecimento de seus policiais militares e o Comando da Corporação está dedicado a prestar todo apoio às famílias desses policiais", disse a instituição.

Outra nota foi publicada na página oficial da corporação no Facebook. No comunicado é mencionada a morte de outro policial ocorrida neste sábado. O 3º Sargento Cristiano Bittencourt Coutinho participava de uma outra operação quando foi atingido por um tiro após a viatura em que se encontrava ter sido alvejada no bairro Jacaré.

Integrantes do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) estiveram na noite de sábado na Cidade de Deus para realizar as ações iniciais de apuração das causas do acidente. Representantes do centro de Criminalística da PM e a Delegacia de Homicídios também estiveram no local.

 

Em 2009, dois policiais morreram e três ficaram feridos após um helicóptero da Polícia Militar realizar um pouso forçado no Morro dos Macacos. A aeronave, parcialmente blindada, havia sido atingida por tiros durante uma operação policial. Além dos tripulantes mortos, um capitão da PM foi baleado na perna e outros dois policiais tiveram queimaduras leves.

Marcelo Carnaval/Agência O Globo
Policiais patrulham região onde caiu helicóptero da PM no Rio de Janeiro

 

(Com Agência Estado; com a colaboração de Alfredo Mergulhão, do Rio)

Traficantes derrubam helicóptero da PM no Rio em 2009

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