"Um detalhe vai fazer a diferença na minha vida", diz Elize a advogada

Janaina Garcia

Do UOL, em São Paulo

  • Mister Shadow/ASI/Estadão Conteúdo

Para a bacharel em direito Elize Matsunaga, 35, a enxurrada de perguntas que deve ser apresentada a ela neste domingo (4) por parte dos sete jurados e do juiz, Adílson Paukoski, não é fator de preocupação, mas de ansiedade. Julgada pelo assassinato do marido, Marcos Matsunaga, ela está presa desde junho de 2012 e pode conhecer hoje a sentença que aguarda desde que confessou os crimes.

Elize seria interrogada neste sábado (3), mas a leitura dos autos e a exibição de material complementar aos depoimentos, por parte da acusação e da defesa, acabaram se estendendo até a noite. Assim, o juiz deixou o interrogatório da ré para hoje às 9h30 –uma vez que, iniciado, ele não poderá ser interrompido por intervalos.

Em entrevista ao UOL, uma das integrantes da defesa de Elize, a advogada Roselle Soglio, disse que a cliente "está ansiosa" para apresentar sua versão dos fatos. Ainda que tenha confessado a morte e o esquartejamento do marido, ela refuta que o tenha seccionado ainda vivo, que tenha atirado a curta distância ou que o motivo tenha sido vingança e interesse no dinheiro dele –os três agravantes que, se aceitos pelos jurados, aumentam a pena de homicídio caso ela seja condenada.

Ela está ansiosa porque quer colocar não só o que já falou à polícia e à Justiça [na fase de instrução do processo], mas porque acredita nos detalhes. Aliás, a sessão havia acabado de terminar e ela me afirmou, nestes termos, sobre amanhã: 'Eu estou preparada. Um detalhe vai fazer a diferença na minha vida' –e é a verdade que será posta.

Tanto advogados de defesa quanto o promotor e o assistente de acusação apostam que a sentença seja divulgada ainda hoje. Após o interrogatório –que, estima a defesa, poderá durar até sete horas--, terão início os debates entre as partes, etapa que dura, no mínimo, cinco horas: uma hora e meia para cada parte, mais uma hora de réplica e uma de tréplica. Em seguida, os jurados se reúnem para julgar.

Reprodução/Band

Defesa busca redução da pena

Como Elize é ré confessa, a defesa busca a redução da pena, uma vez que a ré argumenta ter agido durante uma briga, sob forte emoção, e atirado no marido a uma distância de quase dois metros.

Um legista contratado pela defesa para fazer a exumação de Matsunaga, 11 meses após o crime, afirmou em depoimento ao júri na sexta (2) que laudos necroscópicos no crânio da vítima apontaram que a causa da morte havia sido o disparo efetuado por Elize –que esquartejou o marido, segundo essa versão, já morto.

"Ninguém da defesa está pedindo para Elize ser inocentada. O que se pede apenas é que ela tenha um julgamento justo, que seja julgada pelo que efetivamente fez, e não pelo que a acusação alega que ela fez", defendeu o advogado Luciano Santoro, que acompanha o caso desde que Elize foi presa.

"De ingênua e pobre, não tem nada", diz promotor

Para o promotor José Carlos Cosenzo, a versão da ré não deve convencer os jurados –que, na avaliação dele, já formaram a convicção a partir dos depoimentos. "De ingênua e pobre, ela não tem nada", declarou.

A demora na exibição do material complementar, neste sábado, irritou acusação e defesa e gerou um bate-boca entre as partes. "O debate não está em alto nível: está em alto tempo. Alto nível é discutível", classificou o promotor, para quem a medida está em conformidade com o Código de Processo Penal.

Diogo Moreira/Agência Estado

Reportagem sobre relacionamento homoafetivo irrita defesa

A defesa se irritou com a divulgação de uma reportagem escrita em que é relatado um suposto relacionamento homoafetivo de Elize dentro da penitenciária de Tremembé –e com uma detenta que, posteriormente, se relacionaria lá com Suzane Von Richtofen, que cumpre pena na unidade prisional pela morte dos pais.

"A acusação agiu com falta de cortesia, para não dizer de lealdade. Sobre o relacionamento de Elize, ainda que fosse verdade, porque não é, não vejo qualquer relação disso com o caso pelo qual ela é julgada –mas é algo que mostra o quanto ainda, em pleno 2016, questões de gênero ou de orientação sexual ainda importam para alguns", afirmou a advogada da ré.

Indagado sobre o porquê da exibição do material sobre esse suposto relacionamento de Elize aos jurados –uma vez que o próprio Cosenzo afirmara que a acusação se atentaria ao fato julgado--, o assistente de acusação, o advogado Luiz Flávio Borges D'Urso, respondeu: "Não sei o porquê; foi uma prova produzida pelo Ministério Público dentre uma série de reportagens", resumiu. Ele é contratado pela família da vítima desde que o crime foi descoberto.

Entenda o crime que levou Elize Matsunaga a julgamento

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