Selvageria total, diz morador de Guarapari (ES) sobre onda de violência

Paula Bianchi

Do UOL, no Rio

  • Paula Bianchi/UOL

    Rafael Lucena, dono de uma padaria em Guarapari (ES)

    Rafael Lucena, dono de uma padaria em Guarapari (ES)

"Selvageria total". É como Rafael Lucena, dono de uma padaria em Guarapari (ES), descreve o clima de insegurança no Espírito Santo, que vive uma onda de violência pelo menos desde o último sábado (4).

A reportagem do UOL encontrou o comerciante no aeroporto, no Rio de Janeiro -- ele estava de férias no Rio Grande do Norte e fez escala no Rio para voltar a Guarapari. Segundo ele, criminosos passaram em frente o comércio de moto avisando para não abrir. "Fechem que nós vamos fazer um arrastão", teria declarado o criminoso, de acordo com Lucena.

"Selvageria total, a gente vê os vídeos e não acredita", afirma o capixaba. "Está tudo um caos. Preferimos nem abrir a nossa loja", declara Lucena.

Ao menos 58 homicídios foram registrados desde sábado (4) em todo o Estado, quando um movimento de mulheres de policiais passou a impedir que eles saíssem às ruas. A informação é do Sindipol (Sindicato dos Policiais Civis do Estado) do Espírito Santo. Segundo a associação, apenas nesta segunda-feira (6), 33 pessoas morreram até as 14h40. Do total de assassinatos, 43 aconteceram na Grande Vitória; 15 foram no interior capixaba.

No DML (Departamento Médico Legal), em Vitória, ainda segundo o Sindipol, há corpos espalhados pelos corredores da instituição por falta de espaço e de pessoal para a realização das autópsias.

A Secretaria de Segurança Pública não confirma os números, pois ainda está fazendo o levantamento.

Em função da situação no Estado, o sindicato recomenda que a população não saia de casa. "O crime está solto", disse, reforçando que as delegacias estão superlotadas.

Nesta segunda, o presidente Michel Temer autorizou o envio de tropas das Forças Armadas para o Estado a fim de "garantir a lei e a ordem". Segundo o Ministério da Justiça, também serão enviados 200 agentes da Força Nacional, que devem chegar a Vitória ainda nesta segunda.

Sobre o fato de o secretário ter cortado o diálogo durante a paralisação, Leal viu a medida como uma "postura radical". "O policial é ser humano. Ele tem que ter retribuição mínima para dar condições à sua família".

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