Professor da UFRJ é acusado de racismo: "Na rua como você detecta ladrão? Primeiro olha a cor"

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio

  • Reprodução/Centro Acadêmico de Engenharia

O Centro Acadêmico de Engenharia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) encaminhou denúncia de racismo envolvendo um professor do curso de Engenharia Eletrônica à diretoria da Escola Politécnica e à ouvidoria da UFRJ.

Segundo estudantes, o professor afirmou que se deve reconhecer um ladrão na rua por meio da cor da pele. De acordo com alunos, o docente teria dado as declarações durante uma aula no mês de março.
 
"Na rua como você detecta um ladrão? Primeiro você olha a cor", disse o professor, segundo a denúncia, apontando para a pele. O docente ainda acrescentou, de acordo com testemunhas: "Se você tem um sistema de segurança onde só passa gente branca, quando passa um preto o sistema apita".
 
Procurado pela reportagem, o CaEng (Centro Acadêmico de Engenharia) disse que 25 alunos do curso fizeram denúncias sobre o episódio de racismo em sala de aula. O CaEng publicou em sua página nas redes sociais uma nota em repúdio ao comportamento do professor, cuja identidade não foi revelada, e enfatizou que o crime de racismo é imprescritível e inafiançável.
 
Na página, o Centro Acadêmico lamenta o ocorrido e diz que não se trata do primeiro caso de racismo dentro da universidade. "Sabemos que essa não foi a primeira e infelizmente não será a última ocorrência discriminatória de raça dentro da universidade, mas sabemos que nossa luta para mudar essa realidade já está sendo um diferencial rumo a uma sociedade livre de racismo e qualquer outro tipo de preconceito", diz o comunicado.
 
Nas redes sociais, um seguidor da página do Centro Acadêmico defendeu que o professor merecia sair da universidade direto para a delegacia. "Isso não merece nota de repúdio não. Ele merecia sair da sala num carro de polícia".
 
O CaEng informou que solicitou à UFRJ a troca do professor da disciplina e que está consultando advogados para orientações judiciais. O professor deve ser convocado para prestar esclarecimentos.
 
O UOL encaminhou a denúncia à assessoria de imprensa da UFRJ, que informou que vai apurar a informação.

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