Diego Herculano/AFP

Violência no Rio

Megaoperação contra roubo de carga tem pelo menos três mortes no Rio

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, no Rio

  • Divulgação/PMERJ

    PMs do Batalhão de Choque apresentam material apreendido no Morro do São João, no Rio

    PMs do Batalhão de Choque apresentam material apreendido no Morro do São João, no Rio

Três pessoas morreram e ao menos nove suspeitos foram presos, na manhã deste sábado (5), durante a Operação Onerat, realizada para combater o roubo de carga e reprimir o tráfico de drogas em favelas do Rio de Janeiro. A ação, que mobiliza quase 5.000 pessoas, 79 veículos blindados e oito helicópteros, marca o início da segunda fase do Plano Nacional de Segurança em território fluminense.

As ações ocorrem na região do Complexo do Lins e nas comunidades Camarista Méier e São João, na zona norte carioca, e no Morro da Covanca, na zona oeste.

Entre os mortos, está um policial militar. O sargento André Luis Gomes da Silva morreu após um acidente de trânsito envolvendo o veículo que transportava dois presos na operação. Ele sofreu um ferimento no rosto e chegou a ser levado ao hospital Salgado Filho, mas não resistiu.

Segundo o secretário de Estado de Segurança Pública, Roberto Sá, 15 mandados de prisão foram cumpridos nesta manhã, sendo que nove pessoas já se encontravam no sistema carcerário. Ou seja, apenas haviam sido localizadas e detidas na operação de hoje, de acordo com o último balanço. Outros três suspeitos foram presos em flagrante. Dois adolescentes foram apreendidos.

Participam da operação tropas das Forças Armadas (3.600 do Exército e da Marinha), 360 policiais civis, 256 homens da Força Nacional de Segurança, 574 policiais militares, 115 policiais rodoviários federais e 26 policiais federais.

Apesar do efetivo numeroso e da demonstração de força bélica, os resultados obtidos até 13h se resumiam, além dos detidos, à apreensão de três pistolas, duas granadas, quatro radiotransmissores, entre outros itens.

Questionado se os números alcançados eram fracos em relação ao emprego ostensivo de recursos humanos e materiais, Sá se disse satisfeito, mas mencionou fatores que, segundo ele, dificultam o trabalho.

O secretário afirmou que "a lógica do criminoso, hoje, é diferente", com traficantes escondendo armas e drogas em domicílios nas favelas, e não mais em galpões ou locais específicos de armazenamento. "Há uma facilidade muito grande de esconderijo", comentou.

Sá declarou ainda que a movimentação ostensiva das tropas e das equipes, que começou ainda durante a madrugada, também pode ter alertado os traficantes é incentivado o movimento de fuga. O secretário negou que tenha ocorrido qualquer tipo de vazamento.

"Se ele não for preso hoje, o será em algum momento."

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Torquato Jardim, minimizou os questionamentos sobre os resultados obtidos e exaltou a integração entre forças federais e estaduais. Segundo ele, a ação conjunta é uma demonstração de que o controle territorial por parte do crime organizado no RJ é um "mito".

"O governo unido pode, o governo unido faz, o governo unido acontece. Os esforços de inteligência e capacidade operacional já estão a produzir resultados marcantes. O primeiro é acabar com o mito do crime organizado poderoso", disse.

"Os resultados são maiores do que números. Mais do que números que já foram citados e da última vez. É a ideia de que a ação presente do Estado a descoordenar o pouco de coordenação que poderá se imaginar no crime organizado. É saber aproveitar e tirar o melhor uso do conhecimento coletivo produzido pela experiência da União com os Estados."

Mortes em confronto

O secretário de Estado de Segurança Pública explicou que as outras duas mortes registradas no decorrer da Operação Onerat (que significa "carga", em latim) ocorreram, de acordo com a narrativa oficial, durante troca de tiros entre agentes do Estado e criminosos.

Em uma das ações localizadas, homens do Batalhão de Choque da PM apreenderam 370 embalagens de cocaína, uma granada, um radiotransmissor e uma capa de colete balístico no Morro do São João, no Engenho Novo, na zona norte.

Betinho Casas Novas/ Futura Press/ Estadão Conteúdo
Homens da Força Nacional e do Exército prendem dois suspeitos com dois quilos de maconha prensada, um simulacro de pistola, 750 reais e um rádio transmissor dentro de um veículo na favela de Acari, zona norte do Rio de Janeiro (RJ), na manhã deste sábado (5), durante a Operação Onerat

O material foi levado para a 24ª Delegacia de Polícia (Engenho Novo) para registro de ocorrência. Até o fim da manhã, os policiais militares continuam realizando uma varredura no local para localizar suspeitos, armas e drogas.

A PM informou que, durante uma incursão, conseguiu recuperar parte de uma carga roubada de um caminhão dos Correios, na última sexta-feira (4). Na ocasião, criminosos armados com fuzis interceptaram o veículo, que estava próximo ao centro de distribuições da empresa. A mercadoria foi distribuída para moradores do Morro do São João.

A Onerat faz parte da segunda fase de operação integrada coordenada pelo governo federal em parceria com as forças policiais do RJ, que marca a execução do Plano Nacional de Segurança.

O Estado atravessa grave crise financeira e, nos últimos meses, tem sido palco de sucessivos episódios de violência, como mortes por bala perdida, assassinatos de policiais, roubo a veículos de carga, entre outros.

Policiais se envolvem em acidente; um morre

Uma viatura da polícia carioca que transportava dois suspeitos se envolveu em um acidente com um ônibus na rua José Domingues com Angelina, no bairro Encantado, na zona Norte do Rio. Os policiais eram do BAC (Batalhão de Ação com Cães) e se deslocavam para a Cidade da Polícia, com dois suspeitos. 

No acidente, um policial militar não resistiu aos ferimentos e morreu. Já o outro policial e os dois suspeitos ficaram feridos e foram socorridos para o Hospital Salgado Filho. Não há informações sobre o estado de saúde deles. 

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Crime cresceu 25%

O roubo de carga no Rio de Janeiro cresceu cerca de 25% no primeiro semestre em comparação com o mesmo período do ano passado e é uma das principais preocupações do governo. Ao todo, foram registradas 4.148 ocorrências entre janeiro e junho de 2016 contra 5.179 em 2017, de acordo com dados do Instituto de Segurança Pública.

No dia 28 de julho, o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) e os ministros da Defesa, Raul Jungmann (PPS), e da Justiça, Torquato Jardim, anunciaram um plano específico para combater o roubo de cargas.

Plano Nacional de Segurança

Desde a semana passada, ao menos 10 mil militares reforçam o policiamento no Estado, como parte do Plano Nacional de Segurança no Rio de Janeiro. Ocorrências de roubos de carga foram registradas após militares deixarem as ruas do Rio ao final da primeira etapa do plano, chamada de reconhecimento de área.

Na manhã de sexta (4), o ministro da Defesa afirmou que não há como as Forças Armadas permanecerem nas ruas todo o tempo.

Segundo a Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro), em cinco anos, o prejuízo decorrente do roubo de carga no Brasil passa de R$ 6 bilhões. No Rio de Janeiro, a estimativa é que o preço de alguns produtos fique 20% mais caro por causa do delito e as transportadoras chegaram a ameaçar uma paralisação, caso o problema não seja resolvido.

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