Diego Herculano/AFP

Violência no Rio

Rio: "Achei que estava seguro com tropas federais", diz caminhoneiro feito refém em roubo de carga

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio

  • Pedro Teixeira/Agência O Globo

    7.ago.2017 - Homem que manteve caminhoneiro refém deixa hospital sob escolta do Bope e é levado para a Cidade da Polícia

    7.ago.2017 - Homem que manteve caminhoneiro refém deixa hospital sob escolta do Bope e é levado para a Cidade da Polícia

O motorista da carreta que foi feito refém na avenida Brasil, principal via do Rio de Janeiro, na noite de domingo (6), disse que estava mais tranquilo para circular na cidade devido à presença das tropas federais. Antônio Euclides Ribeiro, 36, partiu de Minas Gerais para entregar a carga em Bonsucesso, zona norte da capital fluminense. Essa era a terceira vez que ele vinha ao Rio.

"No Rio, a gente espera qualquer coisa, mas nunca pensei que isso pudesse acontecer com as Forças Armadas por aqui. Imaginava que estava seguro. Já vim ao Rio com menos policiamento. Cheguei a achar que ia morrer ali", contou o motorista que é pai de dois filhos.

A carreta de Antônio foi abordada por volta das 21h. No veículo, havia 20 toneladas de carne. O motorista foi rendido na altura de Olaria, zona norte. A polícia foi acionada. Houve perseguição e troca de tiros. Antônio ficou quase três horas sob a mira de uma arma. Ele disse que ficou apavorado com a abordagem.

"Um bandido entrou na minha cabine. Ele estava muito nervoso. Ameaçava me matar se eu não corresse, ameaçava me matar se eu não avançasse por cima dos outros. Uma hora até subi na calçada. Ele ficava empurrando a arma contra o meu corpo. Às vezes achava que ia morrer".

Apesar de ter o bairro de Bonsucesso como destino, o veículo só parou em Deodoro, zona oeste. Os policiais fizeram um cerco, atiraram nos pneus e conseguiram parar o caminhão. Bandidos que estavam em outro carro conseguiram fugir. Quando a polícia se aproximou do veículo, o assaltante fez o motorista refém. Ele exigiu a presença da mãe no local para poder se entregar.

"Ele pediu a presença mãe. Ela demorou. Achei que fosse morrer neste meio tempo. A mãe pediu para que ele tirasse a arma da minha cabeça. Ele ainda mandou eu descer devagar, que se corresse ele me matava. Até caí quando deixei o carro, mas não consigo ter raiva dele, não. Ele não sabia nem onde estava e mora aqui no Rio. Não sabia o endereço onde estávamos nem nada. Deve ser um otário que queria subir no conceito de alguém aí".

Na troca de tiros, Antônio foi ferido na perna por estilhaços de bala. Ele foi levado para a Cidade da Polícia, no Jacarezinho, zona norte do Rio, para prestar depoimento. O caminhoneiro contou que não sabe se voltará ao Rio novamente.

"Hoje, eu diria que não viajava para cá não, mas amanhã eu não sei não, porque a gente tem que trabalhar. Eu quero só ir para casa, ver meus filhos", disse.

Ação contra roubo de carga

As forças de segurança do Estado do Rio de Janeiro, com apoio do Exército e da Marinha, realizaram no último sábado (5) operação contra roubo de cargas e tráfico de drogas em seis comunidades da capital. A ação contou também com homens da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Força Nacional de Segurança.

Na operação, dois homens morreram e 18 foram presos. Participam da ação 3.600 homens do Exército e fuzileiros navais. Foram utilizados 514 veículos e 71 blindados militares.

No dia 28 de julho, o presidente Michel Temer (PMDB) assinou decreto de Garantia da Lei e da Ordem, que autorizou a atuação de tropas das Forças Armadas na segurança pública do Rio. Segundo o decreto, os militares poderão permanecer nas ruas do Estado até 31 de dezembro. As Forças Armadas começaram a circular nas ruas do Rio no dia da assinatura do decreto. 

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