Faixa na Rocinha, no Rio, anuncia "nova administração" e queda no preço do gás

Do UOL, em São Paulo

  • Roberto Moreyra/Agência O Globo

    Faixa na Rocinha anuncia novo preço do gás e "nova administração"

    Faixa na Rocinha anuncia novo preço do gás e "nova administração"

Mesmo com a promessa da presença de centenas de policiais militares, a autointitulada "nova administração" da Rocinha, na zona sul do Rio, quis mostrar quem manda no local. Neste sábado (30), foram vistas em ruas da favela faixas anunciando a queda do preço do botijão de gás e criticando o traficante Antônio Bonfim Lopes, o Nem --acusado de ordenar uma invasão que levou a dias de tiroteios e à intervenção das Forças Armadas.

A mensagem publicada na faixa, reproduzida aqui como foi fotografada, diz: "Deixamos claro que a comunidade sempre foi forçada a aceitar algumas coisas inclusive preços abusivos como: (gás, água, carvão e outros) pois 'a ordem era dada pelo Nem' hoje declaramos que isso não acontecerá mas, a partir de hoje o gás custa R$ 75,00 reais. OBS: a nova administração nunca se envolveu nesses abusos, pois não concordava com as taxas cobradas #acabou o esculacho #Jesus é o dono do lugar #paz na Rocinha".

Durante os dias de confronto, o preço do botijão de gás chegou a passar dos R$ 90 --fora da favela, o preço fica na casa dos R$ 50. 

A suspeita é de que as faixas tenham sido espalhadas a mando de Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157, que disputa o comando do tráfico de drogas na Rocinha com Nem --que continuaria a comandar sua quadrilha mesmo preso em uma penitenciária federal fora do Rio. A frase "Jesus é o dono do lugar", reproduzida na faixa, é a mesma de um cordão de ouro usado por Rogério 157.

Ao UOL, a assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Segurança Pública do Rio disse que as faixas já foram apreendidas por policiais da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) da Rocinha e que a Polícia Civil está investigando o caso.

Briga pelo comando

Os confrontos na Rocinha se intensificaram depois de uma tentativa de invasão no dia 17, quando criminosos leais a Nem, ex-chefe do tráfico local, atacaram o bando de Rogério 157, que passou a ditar as ordens na favela após a prisão do antecessor, em 2011. Ao menos quatro pessoas morreram e uma granada chegou a ser lançada na passarela que separa a favela do bairro de São Conrado, na zona sul do Rio de Janeiro.

O objetivo de Nem, que cumpre pena em Porto Velho, é retomar o controle das bocas de fumo. Já o ex-aliado e agora rival, Rogério 157, está foragido e é procurado pela polícia.

Tráfico controla gás, água e mototáxi

O gás é apenas um dos produtos cuja venda é controlada --e até "taxada"-- pelo tráfico de drogas na Rocinha. Em entrevista ao UOL esta semana, o chefe da DRE (Delegacia de Repressão a Entorpecentes), delegado Carlos Eduardo Thome, disse que o bando de Rogério 157 criou "taxas de serviço" sobre a distribuição de botijões de gás e a venda de água, entre outros produtos.

Só a taxa paga por mototaxistas renderia R$ 100 mil por mês à quadrilha, segundo depoimento do traficante Edson Antônio da Silva Fraga, o Dançarino, à Polícia Federal.

As cobranças determinadas por Rogério 157 teriam sido um dos motivos de desentendimento entre ele e Nem, segundo o delegado Thome.

Em uma tentativa de mostrar o controle do Estado sobre o local, o secretário de segurança, Roberto Sá, chegou a subir parte da favela a pé na sexta-feira. "A Rocinha precisa voltar ao normal", disse.

Após a saída das Forças Armadas, a Secretaria de Segurança Pública do Rio anunciou que a Rocinha contaria com a presença de 500 policiais militares por dia na comunidade. Antes da ação das Forças Armadas, eram 300 homens. Os gabinetes de Operações Especiais e de Polícia Pacificadora também passarão a funcionar na favela por tempo indeterminado.

Segundo Sá, a saída dos militares da Rocinha foi "uma decisão do Ministério da Defesa, respeitada pela Secretaria de Segurança". Pouco antes, o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB), afirmou que os militares não queriam permanecer mais do que uma semana no local. "Foi um pedido deles, é natural que a gente atenda", declarou.

Sábado de aparente tranquilidade após saída dos militares da Rocinha

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