Topo

Troca de presos do PCC e Comando Vermelho ocorreu para evitar "assassinatos violentos"

Membros das facções foram transportados pela FAB por receio de emboscada terrestre - Divulgação/SAP-SP
Membros das facções foram transportados pela FAB por receio de emboscada terrestre Imagem: Divulgação/SAP-SP

Luís Adorno

Do UOL, em São Paulo

04/12/2017 09h32Atualizada em 04/12/2017 09h45

A troca feita entre os Estados de São Paulo e Rio de Janeiro, no fim de novembro, de 157 presos que seriam integrantes das facções criminosas PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) ocorreu para evitar uma "guerra declarada", detectada por órgãos de inteligência da SAP (Secretaria da Administração Penitenciária) paulista.

O órgão que administra os presídios de São Paulo informou ao UOL que, se não houvesse a identificação e a troca (que levou 90 membros do CV para o Rio, e trouxe 67 integrantes do PCC a São Paulo), "poderia haver assassinatos violentos de presos dentro dos estabelecimentos penais" a exemplo do que ocorreu no início de 2017 em penitenciárias do Norte e Nordeste do Brasil.

Membros do CV foram levados para o Rio de Janeiro; e, do PCC, para São Paulo - Divulgação/SAP-SP
Membros do CV foram levados para o Rio de Janeiro; e, do PCC, para São Paulo
Imagem: Divulgação/SAP-SP

A identificação dos presidiários ocorreu em outubro do ano passado. Havia 90 homens que seriam integrantes do CV na penitenciária de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo. O presídio detém parte da cúpula do PCC. No mesmo mês de 2016, a SAP determinou a transferência dos 90 para o presídio de Florínea, também no interior do Estado.

"No entanto, através de todas as informações obtidas pelo secretário da Administração Penitenciária, foi concluído que de forma alguma poderiam permanecer em estabelecimentos penais paulistas, pois a qualquer hora poderiam ser atacados e barbaramente assassinados", informou a SAP, em nota.

Esses 90 presidiários foram identificados como pertencentes ou simpatizantes do Comando Vermelho por três aspectos: identificação por análise de tatuagens; verificação de prontuários penitenciários para saber se nasceram no Rio e/ou que cumpriram pena em prisões cariocas; e, por último, identificação através do sotaque.

No dia 12 de abril deste ano, secretários de SP e Rio se reuniram e decidiram trocar os membros fluminenses detidos em São Paulo com os integrantes paulistas detidos no Rio. Juízes dos dois Estados aprovaram a troca.

Membros, identificados por tatuagens, histórico e sotaque, foram transferidos dias 30 de novembro e 1º de dezembro deste ano com auxílio da Força Aérea Brasileira - Divulgação/SAP-SP
Membros, identificados por tatuagens, histórico e sotaque, foram transferidos dias 30 de novembro e 1º de dezembro deste ano com auxílio da Força Aérea Brasileira
Imagem: Divulgação/SAP-SP

A ideia, inicialmente, era fazer a troca via terrestre, com carros de polícia de ambos os Estados. No entanto, a inteligência da segurança entendeu que "poderia trazer uma série de riscos". Os Estados contactaram, então, o ministro da Justiça, Torquato Jardim, o qual autorizou o Depen (Departamento Penitenciário Nacional) a arcar com as despesas de transporte através de um avião da FAB (Força Aérea Brasileira).

"Graças a essas providências é que nenhuma ocorrência grave foi registrada em prisões paulistas, estando o sistema penitenciário funcionando dentro de um clima de normalidade", informou a SAP paulista.

Também por meio de nota, o Depen informou que "o resultado esperado é mais agilidade nos processos judiciais ao devolver para os estados de origem os presos que aguardavam julgamento em unidades prisionais distantes de onde cometeram os crimes", complementou o departamento.

Trabalho de investigação, para tentar evitar mortes, durou mais de um ano - Divulgação/SAP-SP
Trabalho de investigação, para tentar evitar mortes, durou mais de um ano
Imagem: Divulgação/SAP-SP

Mais Cotidiano