Índios deixam fazenda de Geddel na BA após negociação com a PM

Mário Bittencourt

Colaboração para o UOL, em Vitória da Conquista (BA)

  • Itapetinga Repórter/Divulgação

    Índios deixam fazenda do ex-ministro Geddel Vieira Lima na Bahia

    Índios deixam fazenda do ex-ministro Geddel Vieira Lima na Bahia

O grupo de 30 índios da etnia Pataxó Hã-hã-hãe, que ocupava desde segunda-feira (25) uma fazenda pertencente à família do ex-ministro do governo Temer Geddel Vieira Lima (PMDB), em Itapetinga, no sudoeste da Bahia, deixou a propriedade na manhã desta quarta-feira (27), após ação da Polícia Militar. A saída foi pacífica.  

Na fazenda Esmeralda, de 643 hectares, estavam também militantes do MLT (Movimento de Libertação da Terra). No local, a polícia encontrou restos de um boi que havia sido abatido pelos ocupantes no dia que invadiram a propriedade. A estrutura do local não foi danificada.

A PM informou que não houve mandado judicial de reintegração de posse e que a saída dos índios se deu após negociação. Há dois meses, a fazenda da família de Geddel e outras 25 propriedades da região já haviam sido tomadas, levando pânico aos donos de terras.

Os índios afirmam que as propriedades estão em locais considerados por eles como sagrado, pelo fato de haver antigos cemitérios indígenas. A Funai (Fundação Nacional do Índio), entretanto, nega que haja demanda de estudos sobre habitação tradicional indígena na região.

O imóvel da família Vieira de Lima faz parte de um conjunto de 12 fazendas que somam mais de 9.000 hectares e estão avaliadas em cerca de R$ 67 milhões. O primeiro título da propriedade é de 1937, época em que o governo da Bahia fez doações de diversos títulos de terra no sul e sudoeste do Estado.

A 80 quilômetros em direção ao sul do Estado, no território de Itaju do Colônia, existe a reserva indígena Caramuru-Catarina Paraguaçu, de 54 mil hectares, habitada por índios Pataxó Hã-hã-hãe. Índios dessa reserva ocuparam a fazenda Esmeralda nesta segunda e também estavam envolvidos nas ocupações anteriores.

A área foi considerada de habitação tradicional indígena em 2012 pelo STF (Supremo Tribunal Federal), após 30 anos de tramitação, em uma das mais longas ações do tribunal.

Eles querem a ampliação da área para mais cerca de 130 mil hectares, baseados na Lei Estadual nº 1916 de 1926, que destinou na época 50 léguas quadradas para a preservação de recursos florestais e para a proteção de índios Pataxó, Tupinambá e outros que lá fossem encontrados. A área total desse decreto nunca foi demarcada.  

A polícia informou ainda que uma outra propriedade que havia sido ocupada pelos índios na segunda-feira (25), entre as cidades de Itambé e Ribeirão do Largo, foi desocupada nesta quarta-feira.

Nessa fazenda, que não pertence à família de Geddel Vieira Lima, a polícia encontrou pequena quantidade de crack e 10 espingardas artesanais em um saco plástico, mas ninguém foi preso.

Ex-ministro da Secretaria de Governo e Integração Nacional, Geddel está preso preventivamente desde o dia 8 de setembro no presídio da Papuda, em Brasília.

A prisão ocorreu depois de a Polícia Federal encontrar digitais do político em cédulas de dinheiro encontradas em um apartamento ligado a ele, onde malas guardavam mais de R$ 51 milhões.

Geddel e seu irmão, o deputado federal Lúcio Vieira Lima (PMDB), foram denunciados ao STF pela PGR (Procuradoria-Geral da República) sob acusação de lavagem de dinheiro e associação criminosa.

Geddel é suspeito de desviar dinheiro da Caixa Econômica Federal na época em que foi vice-presidente do banco, entre 2011 e 2013. A defesa dele nega que houve desvio de dinheiro público.

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