Polícia Militar recebe doações privadas para atuar no interior do Rio Grande do Norte

Aliny Gama e Carlos Madeiro

Colaboração para o UOL, em Maceió

  • PEDRO VITORINO /PHOTOPRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

    Policiais da Força Nacional patrulham Natal

    Policiais da Força Nacional patrulham Natal

Em meio à paralisação dos policiais militares por falta de pagamento e recursos no Rio Grande do Norte, moradores e empresários de algumas cidades do interior do Estado pararam de esperar pelo dinheiro público e já fazem doações privadas para a Polícia Militar. A colaboração vai do fornecimento de comida e de celulares ao custeio do conserto de carros de polícia.

Os policiais militares do Estado estão aquartelados desde o dia 19, quando deram início à operação "Segurança com Segurança". Na prática, se apresentam nos quartéis, mas se recusam a sair às ruas. Eles reclamam de atraso salarial e denunciam a falta de condições de trabalho. A Polícia Civil trabalha em regime de plantão desde o dia 20.

A Justiça determinou nesta semana que a greve é ilegal e que os policiais devem voltar ao trabalho, mas a paralisação continua.

A Força Nacional está no Estado com cerca de 190 homens fazendo rondas e o governo federal estuda a possibilidade de enviar membros das Forças Armadas ao Estado.

Entre os dias 10 e 27 de dezembro, ao menos 450 roubos, arrombamentos e furtos foram registrados. Os assassinatos aumentaram cerca de 20%, segundo a a organização não governamental Obvio (Observatório de Violência Legal Intencional).

Segundo apurou o UOL, o recebimento de doações privadas por forças de segurança é comum no Estado e, durante a atual crise na segurança pública, está sendo uma alternativa para amenizar os impactos da falta de recursos da PM (Polícia Militar).

"Nós temos CDL (Câmaras de Dirigentes Lojistas) em todo Rio Grande do Norte, e posso dar o exemplo de Apodi, de Currais Novos, de outras cidades nas quais estamos ajudando (a polícia) há tempos. Os próprios empresários vêm se cotizando e vão consertando viaturas, dando celulares, instalando câmeras", afirma o presidente da Federação de Câmaras de Dirigentes Lojistas do Rio Grande do Norte, Afrânio Miranda.

Segundo ele, há casos ainda mais extremos. "Tem cidade em que a PM é quase toda sustentada pelo empresariado", afirma.

A Secretaria de Segurança Pública e a Polícia Militar do Rio Grande do Norte foram procuradas pelo UOL para comentar as doações privadas, mas não responderam até o fechamento desta reportagem. 

Segundo apurou o UOL, unidades da PM em diversos municípios do Rio Grande do Norte enfrentam problemas como carros de polícia quebrados, armas, munições e fardamentos velhos e coletes à prova de bala vencidos. Nesses locais, o patrulhamento é prejudicado.

Policiais do 6°Batalhão, localizado em Caicó --na região do Seridó--, por exemplo, denunciaram nesta semana que os veículos utilizados por eles estão com pagamentos de IPVA atrasados. Eles se recusam a sair para as ruas em veículos em situação irregular.

Um dos carros, além do IPVA atrasado, está sem o motor e tem diversas peças guardadas no porta-malas.

UOL
Peças de automóvel armazenadas em porta-malas de carro da polícia

"No interior, longe das fiscalizações, é tudo no amadorismo contratual. Isto é, existem parcerias informais [com a sociedade organizada]. Desde refeições para policiais até pequenas manutenções em viaturas e imóveis utilizados pelas polícias", informou uma fonte policial, que não pediu para não ser identificada.

Segurança privada

E em meio à paralisação das polícias, moradores estão bolando medidas alternativas. Na praia de Muriú, em Ceará-Mirim, por exemplo, os veranistas decidiram ajudar alimentação e combustível a Guarda Municipal, que ampliou rondas na região.

Em paralelo, muitas lojas decidiram reforçar a segurança e passaram a contratar vigilantes particulares. "Quem não tinha está contratando, que tem está ampliando", afirma Afrânio Miranda.

Por conta dos arrombamentos e assaltos, os comerciantes de Natal encaminharam um pedido ao governador Robinson Faria (PSD), na terça-feira (26), para que o Estado devolva o ICMS, pago antecipadamente, às lojas que foram vítimas de assaltos.

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