Crianças mortas em ritual de magia negra no RS estavam embriagadas e levaram golpes de faca, diz polícia

Lucas Azevedo

Colaboração para o UOL, em Porto Alegre

  • Polícia Civil/RS

    Imagem do templo em Gravataí (RS) onde duas crianças teriam sido esquartejadas em setembro de 2017

    Imagem do templo em Gravataí (RS) onde duas crianças teriam sido esquartejadas em setembro de 2017

A Polícia Civil afirmou nesta segunda-feira que as duas crianças de 8 e 12 anos assassinadas em um suposto ritual de magia negra no Rio Grande do Sul foram embriagadas e mortas a facadas. Ao todo sete pessoas tiveram prisão decretada por envolvimento com o crime.

Os assassinatos começaram a ser investigados em setembro do ano passado, quando os corpos esquartejados das duas crianças foram encontrados perto de uma estrada em Novo Hamburgo, região do Vale dos Sinos – a 50 quilômetros de Porto Alegre.

A polícia começou a investigar o caso e, em dezembro, prendeu quatro pessoas: um suspeito de ter participado dos homicídios das crianças, um homem acusado de ser o líder de uma suposta seita satânica e dois homens que teriam encomendado um ritual à suposta seita para terem sucesso no mercado imobiliário. Outros três suspeitos estão foragidos.

Uma testemunha considerada chave pela polícia disse que as crianças – um menino de 8 anos e uma menina de 12 anos - foram mortas nesse ritual. O suspeito de ser o líder da suposta seita, por sua vez, disse que nunca se envolveu em sacrifícios humanos. Os outros três presos também negam participação no crime.

Segundo o delegado Moacir Fermino, da 2ª Delegacia de Homicídios de Novo Hamburgo, no sangue de uma das crianças foi encontrada uma alta dosagem alcoólica: 5,2 mg por litro de sangue. Para se ter ideia, um adulto já é considerado alcoolizado pelo código de trânsito com 0,33 mg de álcool por litro de sangue.

A principal testemunha do caso disse ter presenciado o ritual, que ocorreu em um suposto templo no interior da cidade de Gravataí, na região metropolitana de Porto Alegre. Ela teria relatado que as crianças foram esfaqueadas na cerimônia.

Segundo a polícia, as informações dadas por essa testemunha estavam de acordo com o laudo da perícia, que encontrou ferimentos de armas cortantes nos corpos, além da presença de álcool. Por causa de sua importância no caso, a testemunha deve ser incluída em um programa de proteção.

Os peritos descobriram ainda marcas no corpo da menina que indicam que ela tentou lutar contra seus agressores. Mas não está claro se isso ocorreu antes do ritual (possivelmente no momento em que foi capturada) ou na hora em que iria ser morta.

Uma das hipóteses da polícia é que as vítimas estavam desacordadas por causa do álcool no momento dos assassinatos.

"Temos a capa que ele (suposto líder da seita) usava no ritual. Temos uma testemunha que conta como foi. Ela disse que o bruxo falava uma língua estranha. Acreditamos que era aramaico", afirmou o delegado Fermino.

O policial afirmou também que investigará supostos indícios de que os suspeitos tenham consumido carne do corpo de uma das vítimas. Porém, ainda não é possível afirmar se o suposto canibalismo ocorreu ou não.

"Foi um crime bárbaro, cruel", afirmou o delegado.

Andreo Fischer/Divulgação

Vítimas argentinas

Os policiais que investigam o caso disseram acreditar que as vítimas sejam de nacionalidade argentina. Isso porque seus perfis não batem com qualquer registro de desaparecimento de menores de idade no Brasil. Seus DNAs também não foram localizados nos bancos de dados nacional.

O fato de um dos indiciados ser argentino fez os policiais estenderem a investigação ao país vizinho. Eles descobriram que o argentino teria trocado um caminhão roubado pelas duas crianças na província de Corrientes. Da Argentina, os irmãos teriam sido trazidos de carro para o Brasil e levados ao templo. 

A polícia afirmou ainda que os suspeitos de terem encomendado o ritual para a seita seriam empresários e teriam pago R$ 25 mil para obter "prosperidade no ramo de imóveis".

O templo onde teria ocorrido o ritual fica em uma área de sítios em Gravataí, a cerca de 30 quilômetros do local onde os corpos foram achados, em Novo Hamburgo.

A reportagem tentou entrar em contato com os advogados de defesa dos suspeitos, mas eles não foram localizados.

A polícia trabalha agora para encontrar os foragidos e assim tentar descobrir a identidade das crianças e como elas foram raptadas.
 

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