Grupo de direita que tenta criar bloco de Carnaval diz que um de seus membros foi agredido

Do UOL, em São Paulo

  • Reprodução/Direita São Paulo

    Jonas Serejo aparece em imagens divulgadas pelo Direita São Paulo

    Jonas Serejo aparece em imagens divulgadas pelo Direita São Paulo

O grupo conservador Direita São Paulo -- que ficou conhecido recentemente por tentar criar um bloco de carnaval em São Paulo chamado "Porão do Dops 2018" -- divulgou um vídeo nas redes sociais afirmando que um de seus integrantes teria sido agredido por um grupo de orientação política de esquerda.

No vídeo, um rapaz que se identifica como Jonas Serejo diz ter sido atacado por "quatro ou cinco pessoas" com jatos de spray de pimenta nos olhos, golpes na cabeça e chutes perto da estação de metrô Ana Rosa, na zona sul da cidade. O ataque teria ocorrido na última sexta-feira. O rapaz disse que se dirigia à sede do grupo, onde aconteceria uma palestra sobre o regime militar.

A Polícia Militar disse ao UOL que atendeu um caso de agressão no mesmo local e na mesma hora. Os policiais disseram ter levado a vítima ao 27º Distrito Policial, mas não confirmaram se tratava-se de Serejo. 

Um representante da delegacia e a assessoria de imprensa da Secretaria da Segurança Pública disseram que não houve registro de boletim de ocorrência. Mas, as entidades não explicaram se a autoridade policial do 27º DP decidiu não registrar a ocorrência ou se o caso simplesmente não chegou à delegacia, como havia afirmado a PM.

O evento Bloco Porão do Dops 2018 foi alvo de polêmica na semana passada após o Ministério Público de São Paulo entrar com uma ação civil pública contra os seus organizadores. Para o MP, o evento enaltece o crime de tortura com homenagens a Carlos Alberto Brilhante Ustra, que foi comandante do DOI-COI (órgão de inteligência do regime), e Sérgio Paranhos Fleury, que foi delegado do DOPS (delegacia que também realizava operações de inteligência durante a ditadura militar).

Na noite da última sexta-feira, a Justiça negou o pedido do MP e liberou o desfile. Na decisão, a juíza Daniela Pazzeto Meneghine Conceição, da 39ª Vara Cível, diz não ter identificado indícios de que o bloco carnavalesco pretenda fazer apologia a crimes contra a humanidade.

Stefany Papaiano, que se identifica como uma das coordenadoras do movimento ao qual Serejo pertenceria, afirma que o Direita São Paulo não faz apologia à tortura e que o grupo tem recebido ameaças por meio de sua página no Facebook, principalmente após a criação do evento de Carnaval. 

Ela acusa um suposto movimento de natureza antifascista pela agressão a Serejo. Segundo ela, o grupo assumiu a autoria na seguinte mensagem em seu site: "O recado está dado, não importa onde vocês estão (sic), nenhum movimento fascista irá ganhar espaço no Brasil".

O grupo nega ser autor do ataque. 

"Apenas reportamos e noticiamos o ocorrido, da forma que achamos mais correta com a realidade, pois acreditamos, sim, que o ataque foi uma ação de antifascismo", disse um membro do grupo à reportagem. "Mas não sabemos quem de fato está envolvido e não assumimos nenhuma autoria sobre o ocorrido". O grupo também diz que não ameaça ninguém e que não incita à violência. 

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