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'Características são muito nítidas de execução; é um crime contra a democracia', diz Marcelo Freixo

José Lucena/Futura Press/Folhapress
15.mar.2018 - O deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) concede entrevista sobre a morte da vereadora Marielle Franco, do PSOL, morta a tiros nesta quarta (14). Imagem: José Lucena/Futura Press/Folhapress

Lola Ferreira e Luis Kawaguti

Do UOL, no Rio

2018-03-15T01:00:47

2018-03-15T10:58:37

15/03/2018 01h00Atualizada em 15/03/2018 10h58

O deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL-RJ) afirmou que as características do assassinato da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL), na noite quarta-feira (14), são “muito nítidas de execução”. Ele afirmou que vai cobrar rigor da investigação da polícia.

“Cabe à polícia fazer a investigação. A gente, evidentemente, não vai aliviar isso, as características são muito nítidas de execução. A gente quer que o fato seja apurado o mais rápido possível. Não é por cada um de nós, é pelo Rio de Janeiro”, afirmou Freixo ainda no local do crime, na madrugada desta quinta-feira (15).

“Isso é inadmissível. Uma pessoa cheia de vida, cheia de gás, fundamental para o Rio de Janeiro, ser brutalmente assassinada", declarou o deputado.

Freixo disse ainda que nem o partido nem a família tinham conhecimento de nenhum tipo de ameaça contra a vereadora.

“Esse é um crime contra a democracia no Rio de Janeiro”, afirmou. “Há caminhos para se desvendar isso. A gente sabe que, quando a polícia quer, ela é capaz de desvendar”.

Reprodução/Facebook
Marielle era socióloga e foi a quinta vereadora mais votada no Rio em 2016 Imagem: Reprodução/Facebook

Polícia investiga execução

A Polícia Civil já recolheu as imagens das câmeras de segurança da área do local do crime, que aconteceu no bairro do Estácio, região central do Rio, a 100 metros de uma estação de metrô e a 700 metros da prefeitura da cidade. A polícia investiga a hipótese de execução.

Marielle estava dentro de um carro quando foi assassinada. A vereadora voltava de um evento chamado “Jovens Negras Movendo as Estruturas”, na Lapa, também na região central, quando um carro emparelhou com o veículo em que ela estava e efetuou disparos.

A perícia identificou ao menos nove disparos contra o veículo, todos na direção da vereadora, que estava no banco de trás. Marielle foi atingida por ao menos quatro tiros e morreu na hora. O motorista Anderson Pedro M. Gomes, 39, também foi atingido pelos disparos e morreu no local.

Policiais da Divisão de Homicídios disseram que os responsáveis pelo crime tinham conhecimento sobre a posição exata que a vereadora ocupava no veículo, que possuía vidros escuros.

A polícia busca também todas as câmeras de segurança do trajeto realizado pela vereadora para descobrir em qual ponto o carro começou a ser seguido.

Uma assessora da vereadora que estava no carro foi atingida por estilhaços e levada imediatamente para o Hospital Souza Aguiar, no centro. Com ferimentos leves, ela foi liberada na madrugada e estava abalada emocionalmente.

A assessora terminou de depor à polícia por volta das 4h e não quis falar com a imprensa. O delegado também não divulgou detalhes de seu depoimento.

A última denúncia

No mês passado, Marielle foi nomeada relatora da comissão que acompanhará a intervenção federal na segurança pública do Rio. Sob esta função, ela denunciou, no último sábado, uma suposta ação truculenta de policiais do 41 BPM (Irajá) na favela de Acari. 

Freixo não descartou mas minimizou a possibilidade de que o crime tenha sido motivado por essa denúncia. Segundo ele, diversas pessoas haviam feito denúncias semelhantes e não haveria razão para justamente ela virar um alvo.

O delegado Fábio Cardoso, da Delegacia de Homicídios, foi questionado pelo UOL se a principal suspeita é que o crime tenha sido uma execução, mas ele afirmou que não comentaria a investigação.

Durante a perícia foram identificadas ao menos sete cápsulas de balas no chão perto do veículo onde a vereadora foi assassinada.

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