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Dono e três funcionários de bar são indiciados por homicídio após morte de estudante

Lucas Martins de Paula ficou 22 dias em coma após ser espancado por seguranças - Reprodução/Facebook
Lucas Martins de Paula ficou 22 dias em coma após ser espancado por seguranças Imagem: Reprodução/Facebook

Rafael Pezzo

Colaboração para o UOL

30/07/2018 16h14

O dono do bar e casa noturna Baccará Backstage, Victor Alves Karan, e três seguranças do local foram indiciados nesta segunda-feira (30) por homicídio qualificado por motivo fútil após a morte do estudante Lucas Martins de Paula, de 21 anos. O jovem foi espancado pelos funcionários do local no início do mês, depois de contestar a cobrança de R$ 15 em sua comanda.

Aluno do quarto ano de engenharia elétrica, ele ficou 22 dias em coma, internado na Unidade de Terapia Intensiva da Santa Casa de Santos, e morreu neste domingo após uma parada cardiorrespiratória. "Nós já estávamos na luta, e seguiremos buscando justiça pelo Lucas. Ninguém merece passar por tudo isso que estamos passando”, afirmou ao UOL Andrielly Antunes, prima do jovem. "Tudo o que se ouve falar dele, que ele era um bom menino, de família, era verdade", completou.

Na semana passada, os quatro homens haviam sido indiciados por tentativa de homicídio e no dia 10 a prefeitura de Santos intimou o estabelecimento em Embaré, bairro nobre da cidade, a encerrar suas atividades. Caso a ordem seja descumprida, o proprietário terá de pagar multa com valor entre R$ 1.300 e R$ 10 mil. Segundo lojistas da região, o bar não abriu desde a decisão.

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Na manhã desta segunda, a fachada do estabelecimento onde ocorreram as agressões amanheceu pichada com as palavras "justiça" e "força aos familiares da vítima".

Agressões

Por volta das 3h30 do último dia 7 de julho, Lucas Martins de Paula estava na fila do caixa do bar quando percebeu a cobrança indevida de R$ 15 em sua comanda. Após contestar o valor, ele discutiu com os seguranças, que o levaram para fora do estabelecimento e o espancaram. Segundo o boletim de ocorrência registrado na data, um advogado de 24 anos e um eletricista, de 21, tentaram defender o rapaz e sofreram lesões leves.

"Colocaram ele para fora e o espancaram até ele entrar em coma. Foram de sete a oito seguranças que fizeram uma roda para agredir meu filho. As pessoas que tentavam entrar para separar a briga também foram agredidas. Os amigos do meu filho também foram agredidos", contou ao UOL Isaías de Paula, pai da vítima.

Ainda conforme o registro, o chefe da segurança do bar teria dito aos policiais que não percebeu nenhuma agressão no local e que havia pedido aos seus funcionários que retirassem o estudante do estabelecimento porque a comanda dele não havia sido paga. "Ele não teve nem tempo de tirar a carteira do bolso para pagar, já começaram a bater nele. Foi uma covardia", declarou o pai. "Isso não foi agressão, foi tentativa de homicídio com omissão de socorro."

Conduzido por uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Central, de Paula foi transferido à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa de Santos no mesmo dia. Pouco depois de ser internado em coma induzido, o jovem foi operado duas vezes para reduzir a hipertensão intracraniana, sendo submetido ao mesmo procedimento uma terceira vez na semana seguinte.

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