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Voluntária é acusada de agredir criança autista em escola pública do DF

Rafael Pezzo

Colaboração para o UOL

27/09/2018 17h34

Uma educadora social voluntária é acusada de agredir um aluno autista de seis anos no Centro de Educação Infantil (CEI) 2 de Sobradinho, no Distrito Federal. O caso aconteceu no último dia 18 de setembro e a mulher foi desligada da instituição, segundo a Secretaria de Estado de Educação. A Polícia Civil investiga o incidente.

Ao UOL, a mãe do menino, Thaís Martins, de 31 anos, contou que a agressão foi vista por uma professora no fim da aula, quando as crianças estavam sentadas em roda, fazendo uma atividade. Segundo Thaís, o menino estava perto de um amigo, quando a voluntária se sentou próximo a eles. "Ele não gostou e levantou a mão. Ela, então, com tom de voz alto disse: 'Você vai me bater? Se você me bater, eu te bato de volta'", explica a mãe. "Ele, então, deu um tapa no rosto dela. Ela revidou com dois, um na mão e outro no rosto."

De acordo com a mãe da criança, a docente o tirou do local para acalmá-lo e comunicou a diretoria da escola, que chamou a assistente para explicar o que havia acontecido.

Thaís conta que soube da situação ao buscar filho na escola. Estavam aguardando por ela a professora que viu os tapas, um membro da direção e três pessoas da Coordenação Regional de Ensino de Sobradinho. "Quando me contaram, eu chorei. Fiquei em choque, não sabia nem o que falar."

A criança ficou sem frequentar a escola por dois dias, mas já voltou às atividades normalmente. Apesar do incidente, a mãe afirma que não pretende transferir o filho para outra instituição de ensino. "Ele está lá desde o ano passado, já tem os amigos dele, não seria viável mudá-lo. Além disso, a escola está nos dando todo o apoio."

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Segundo a mãe, não é a primeira vez que a criança sofre violência em uma escola: quando ele tinha dois anos e meio, foi amarrado a uma cadeira em uma creche particular. "Estou chamando os pais de crianças especiais para fazermos uma carreata pela cidade e pedir que sejam contratados apenas voluntários e educadores capazes de lidar com crianças assim", declara. "Isso já está previsto em lei, mas queremos que seja cumprido."

Em nota, a Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF) informou que "repudia qualquer forma de violência" e que "de imediato, a educadora social voluntária foi desligada". Ainda de acordo com o órgão, a equipe pedagógica "deu todo o apoio para o estudante e a família dele".

Conforme descrito no site oficial da SEEDF, "os educadores sociais trabalham no suporte de atividades de ensino integral, especializado e infantil, e no terceiro ciclo fundamental (dos seis aos nove anos de idade), cada qual com capacitação própria". Podem exercer o cargo "universitários de formação específica nas áreas de desenvolvimento das atividades, estudantes da Educação de Jovens e Adultos e estudantes do ensino médio”. Também podem se candidatar às vagas "pessoas com experiência comprovada na área de educação especial e/ou saúde".

Cada voluntário trabalha por quatro horas diárias, podendo duplicar o período, mas em unidades diferentes. Por turno, cada colaborador recebe um reembolso de R$ 27, para cobrir despesas com alimentação e transporte. Atualmente, 6.000 pessoas prestam esse serviço entre as 14 regiões do Distrito Federal.

O caso é investigado pela 13ª Delegacia de Polícia, em Sobradinho, onde a mãe prestou queixa no dia seguinte à agressão. A reportagem não conseguiu contato com o delegado chefe da unidade.

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