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Marielle, Previdência, violência e lama: os atos do Dia da Mulher no Brasil

08.03.2019 - "Dia das Mulheres Trabalhadoras" em Curitiba - Theo Marques/Framephoto/Estadão Conteúdo
08.03.2019 - "Dia das Mulheres Trabalhadoras" em Curitiba Imagem: Theo Marques/Framephoto/Estadão Conteúdo

Aliny Gama e Marcela Leite

Colaboração para o UOL, em Maceió, e do UOL, em São Paulo

08/03/2019 22h30

Atos em todo o Brasil marcaram hoje o Dia Internacional da Mulher. Manifestantes saíram às ruas pedindo o combate ao feminicídio, defendendo a igualdade salarial e de gênero e questionando o reflexo da reforma da Previdência na aposentadoria das mulheres. Em diversas as capitais, manifestantes relembraram o assassinato da vereadora Marielle Franco (Psol).

No Recife, a marcha "Marielles: Livres do Machismo, do Racismo, e pela Previdência Pública" relembrou a morte da vereadora carioca e pediu a elucidação do crime, que completa um ano na semana que vem.

A manifestação se concentrou na praça do Derby, na região central da cidade, e seguiu pela avenida Agamenon Magalhães, onde bloqueou a via. Por volta das 20h, o ato ainda não tinha sido encerrado. Organizadores e Polícia Militar não estimaram o público participante.

Marielle também foi lembrada no Rio de Janeiro e em um ato realizado em Salvador. Centenas de mulheres ligadas a movimentos sociais, grupos religiosos e centrais sindicais se reuniram na praça da Sé para cobrar igualdade de gênero e o fim da violência contra a mulher. Não houve estimativa de público, mas a organização da manifestação informou que 55 grupos participaram do ato.

Manifestantes pedem o fim da violência contra a mulher em protesto no Rio

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No Rio Grande do Norte, mulheres também se manifestaram contra a violência e cobraram esclarecimentos sobre o assassinato de Marielle Franco. O nome da vereadora ecoou durante todo o ato, que reuniu cerca de 4.000 pessoas e terminou à noite.

A caminhada se concentrou na frente do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), na Cidade Alta, e encerrou na frente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, também na área central de Natal. A Policia Militar informou que não fez estimativas do público da manifestação.

Ato no Recife lembrou a vereadora Marielle Franco - Leonardo Milano/Futura Press/Estadão Conteúdo
Ato no Recife lembrou a vereadora Marielle Franco
Imagem: Leonardo Milano/Futura Press/Estadão Conteúdo

Críticas à Previdência e a Bolsonaro

Em São Paulo, o ato pelo do Dia Internacional da Mulher teve protestos contra o presidente Jair Bolsonaro (PSL) e contra a reforma da Previdência. A manifestação teve início no vão livre do Masp, na região central, e contou com frases de ordem como "ele não, ele nunca" e "Bolsonaro, seu fascistinha, a mulherada vai botar você na linha".

A partir de meio-dia, manifestantes se reuniram na praça Santos Andrade, no centro de Curitiba. Mesmo sob chuva, as pessoas gritaram palavras de ordem contra a reforma da Previdência e contra a violência decorrente do machismo.

O ato, que se encerrou na confraria Boca Maldita, também na região central da capital, pediu o direito à liberdade, planejamento reprodutivo, igualdade de gênero e à livre crença religiosa.

Manifestantes carregam em Curitiba faixa em alusão a uma frase dita pelo presidente Jair Bolsonaro - Eduardo Matysiak/Futura Press/Estadão Conteúdo
Manifestantes carregam em Curitiba faixa em alusão a uma frase dita pelo presidente Jair Bolsonaro
Imagem: Eduardo Matysiak/Futura Press/Estadão Conteúdo

Em Brasília, mais de trinta organizações feministas e blocos de carnaval se uniram para reivindicar condições melhores para as mulheres e igualdade de direitos, além de criticar o governo Bolsonaro. 

Em Maceió, cerca de 5.000 mulheres caminharam pelas ruas do centro da cidade, em passeata, cobrando o fim da violência.  Vinte e uma mulheres usaram mordaças com tecido preto e carregaram cruzes simbolizando os 21 casos de feminicídio ocorridos em 2018 em Alagoas. O grupo também usou cartazes e faixas com frases contra a violência doméstica e a reforma da previdência.

O ato reuniu representantes do movimento de Mulheres Olga Benário, do Movimento de Trabalhadores sem Terra, Marcha Mundial das Mulheres, centrais sindicais e estudantes. A Polícia Militar informou que não houve registro de tumultos no movimento e não contabilizou o número de participantes.

"Esse oito de março tem uma luta muito importante contra a reforma da previdência, que penaliza principalmente a nós mulheres. Não é verdade que a Previdência é deficitária, a verdade é que estão querendo privatizar a previdência para fortalecer ainda mais os lucros do sistema financeiro", destacou a coordenadora do movimento de mulheres Olga Benário em Alagoas, Lenilda Luna.

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Fim da violência contra a mulher

No Ceará, integrantes de entidades sindicais, indígenas e movimentos sociais realizaram um ato cobrando justiça pelos assassinatos de mulheres e pediram o fim da violência. Um dos casos relembrados no ato foi o da transexual Dandara, de 42 anos, espancada até a morte por um grupo de homens no bairro de Bom Jardim, em Fortaleza, em 2017.

O grupo levou placas com os nomes de mulheres assassinadas, como Stefhani Brito, de 22 anos, morta a pauladas por um ex-namorado em janeiro de 2018.

O protesto reuniu cerca de 3.000 pessoas e saiu da praça General Murilo Borges, no Centro de Fortaleza, até a praça da Gentilândia, no bairro Benfica. Segundo a organização do ato, mulheres indígenas das 14 etnias participaram das ações hoje.

Cerca de 2.000 pessoas saíram da praça Pedro Américo, região central de João Pessoa, por volta das 17h, em direção ao Parque da Lagoa. Os participantes seguravam faixas pedindo o fim da violência e lideranças femininas falavam frases de empoderamento em um carro de som. Segundo a Polícia Militar, o grupo chegou ao parque da Lagoa, por volta das 20h, onde ocorreram apresentações culturais. A PM não divulgou estimativas do público.

Um ato unificado em Teresina reuniu centenas de mulheres e fechou a avenida Frei Serafim, umas das principais vias públicas principais da capital, na tarde de hoje. O protesto começou por volta das 16h30 e encerrou às 19h. Nem a organização da manifestação, nem a PM divulgaram estimativa de participantes.

O promotor de Justiça da Mulher, Francisco de Jesus, destacou que o dia de hoje é de conscientização e empoderamento, pois há mulheres que aceitem "rosas, mas elas querem também respeito." Segundo o Ministério Público Estadual do Piaui, 70% das vítimas de violência são negras e têm idades entre 20 e 35 anos.

Em BH, manifestantes também lembraram vítimas dos rompimentos das barragens de Mariana e Brumadinho - Reprodução/Facebook Frente Brasil Popular - Minas
Em BH, manifestantes também lembraram vítimas dos rompimentos das barragens de Mariana e Brumadinho
Imagem: Reprodução/Facebook Frente Brasil Popular - Minas

Justiça contra crimes ambientais em MG

Em Belo Horizonte, uma manifestação organizada pela Frente Brasil Popular - Minas e por dois blocos de carnaval deixou a Praça Raul Soares, no centro da cidade, rumo à Praça Sete para se encontrar com outro ato organizado pela Frente Povo Sem Medo.

Além de críticas ao governo Bolsonaro e ao preconceito contra 
LGBTs e negros, manifestantes cobertos de lama pediram justiça a quem foi atingido pelo rompimento das barragens de Mariana e Brumadinho, em Minas Gerais.

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