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Mãe de jovem achada em lago no DF não crê em afogamento: 'Quero justiça'

Jéssica Nascimento

Colaboração para o UOL, em Brasília

03/04/2019 19h34

Nesta tarde, no enterro de Natália Ribeiro dos Santos, 19, encontrada boiando no Lago Paranoá, no Distrito Federal, na última segunda-feira (1º), a mãe da jovem, a dona de casa Edvania Ribeiro, pediu "justiça" e voltou a refutar uma das hipóteses levantadas pela polícia, que fala em possível afogamento.

"Criei ela com muito esforço, muita luta e pra nada. Ela não merecia morrer dessa forma, quero que prendam esse homem. Eu quero justiça pra minha filha", disse Edyania nesta tarde ao lado de amigos e familiares.

Natália era estudante de letras e tinha mais de 45 mil seguidores em uma rede social - Reprodução/Instagram
Natália era estudante de letras e tinha mais de 45 mil seguidores em uma rede social
Imagem: Reprodução/Instagram
O homem a que a mãe de Natália se referia é Wendel Yuri de Souza Caldas, 19. Ele foi ouvido por duas horas pela polícia e liberado. Segundo testemunhas, a estudante desapareceu após entrar na água com o suspeito.

"A Natalia sabia nadar e jamais entraria no lago sozinha. Ela pensava na família, tinha medo de decepcionar a mãe", disse uma prima também presente no enterro.

O corpo de Natália foi enterrado às 16h30 em um cemitério da Asa Sul, em Brasília, sob aplausos e cânticos religiosos. Durante o cortejo, a mãe de Natália teve de ser amparada por familiares.

O tio Célio Ribeiro, 51, disse que viu o corpo da sobrinha no IML e que estava bastante machucado.

"Ela tinha marcas na boca, parecendo até que tinha levado um soco. O nariz também. Tem coisas que não condizem com o depoimento do rapaz, então queremos saber a verdade", pontuou.

Washington Ribeiro, primo da jovem, disse que vai cobrar à polícia um posicionamento. "Mesmo se todo mundo esquecer do caso, vamos continuar atrás de respostas. Encontrei com ela pouco antes e estava cheia de planos, de metas. Natália era muito alegre, inteligente, do tipo que sempre tenta animar ou outros", diz.

Natália cursava o segundo semestre do curso de Letras na Universidade de Brasília. Ela também trabalhava como modelo e tinha mais de 45 mil seguidores em uma rede social.

"Ela sempre foi a mais bonita da sala de aula, do grupo de amigos. Chamava a atenção, sabe? Era de bem com a vida, não tinha preconceito e fazia amizade com todo mundo. Vai fazer muita falta. Estamos muito abalados com essa perda tão rápida", disse a amiga de curso Juliana Castro, 20.

Ela conheceu o suspeito no churrasco onde foi vista pela última vez, diz o boletim de ocorrência.

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Band News

Últimos registros

Natália foi vista pela última vez no domingo em um churrasco com amigos em um clube e desapareceu.

Câmeras registraram Natália e Wendel juntos na beira do lago e entrando no espelho d'água. Nas imagens, é possível ver Wesley saindo da água sozinho. Não é possível ver o que acontece em seguida.

Wendel foi ouvido novamente na manhã desta quarta-feira pela Polícia Civil. Acompanhado pelo advogado Carlos André Praxedes, o jovem também foi encaminhado ao Instituto Médico Legal. Ele tem uma marca de mordida no braço.

A defesa do suspeito disse que o cliente não lembra do que aconteceu no churrasco porque estava "bêbado demais". No primeiro depoimento, Caldas afirmou que não tinha entrado na água com Natália. Porém, as imagens das câmeras desmentiram a versão do rapaz.

Um dos amigos contou que Wendel e a vítima caminharam para o lago e, depois de 30 minutos, ele voltou à festa sozinho.

Colegas questionaram onde estava a estudante e o suspeito disse que não sabia, que estava bêbado.

O corpo da jovem estava próximo ao Clube Almirante Alexandrino (Caalex). Em nota, o Comando do 7º Distrito Naval informou que uma das churrasqueiras foi alugada por um sócio para um evento particular no domingo e que foi informado sobre o desaparecimento da jovem, na segunda-feira.

"A Marinha do Brasil abriu um procedimento administrativo para o esclarecimento do acontecido e, junto com o Clube Almirante Alexandrino, está colaborando com as autoridades policiais para elucidação dos fatos", disse um trecho do texto.

Cotidiano