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Em áudio, homem declara 'amor doentio' a ex antes de matá-la e se suicidar

Jéssica Nascimento

Colaboração para o UOL, em Brasília

2019-05-08T22:40:39

08/05/2019 22h40

Um homem matou a ex-mulher com nove facadas e cometeu suicídio se jogando na frente de um ônibus na última segunda-feira (6), no Distrito Federal. Maciel Luiz Coutinho da Silva, 41, chegou a mandar um áudio para a vítima, dizendo que o amor que ele sentia era "doentio".

Gari havia dez anos, Jacqueline dos Santos Pereira foi casada com Maciel por 25 anos e havia se separado havia dois meses. Ela já tinha um decisão judicial que impedia o ex de aproximar-se dela.

Segundo testemunhas, o homem foi ao trabalho da ex-mulher pela manhã e a ameaçou. Por volta das 16h, ele pulou o muro da casa dela e, depois disso, a mulher gritou por socorro.

Minutos após, ele saiu em uma moto e foi encontrado já sem vida por vizinhos. Para a Polícia Civil, o motivo do crime foi ciúme, e Jacqueline já teria um outro relacionamento.

Áudio revela perturbação

Em um áudio enviado antes do crime, o ex-marido afirmou se confessou.

"Na minha cabeça, todo mundo que se aproxima de você é porque te quer", disse na gravação. "Tudo que eu fiz você passar foi por amor."

Segundo uma familiar de Jacqueline que preferiu não se identificar, Maciel não era violento e nunca havia batido na mulher, mas sempre a ameaçava por não aceitar o fim do casamento.

"Era um relacionamento abusivo. Ele era possessivo, não deixava ela sair de casa, ter amigos. Até no trabalho dela ele aparecia. A Jacqueline estava cansada, queria respirar novos ares e acabou perdendo a vida por um homem que não soube ouvir não", disse.

Medida protetiva

Em 5 de março, o Juizado de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher de Santa Maria concedeu uma medida protetiva para Jacqueline. Foi determinado que ele saísse da casa da vítima e mantivesse 300 metros de distância da ex-mulher.

Uma semana depois, a medida foi revogada, a pedido de Jaqueline. Segundo o delegado chefe da 33ª DP, Rodrigo Têlho, no final de abril, a vítima foi até a delegacia e pediu uma nova medida protetiva, que foi concedida.

O homem foi intimado na última quinta-feira (2), ouvido na sexta-feira (3) e não teve mandado de prisão expedido.

Pressentimento

Para o irmão de Jacqueline, Jonathan Júnior, a irmã pressentiu a própria morte. "Na semana passada, ela chamou todos da família e pediu que caso algo acontecesse com ela, o filho mais velho de 18 anos, cuidasse dos pequenos e a gente ajudasse", disse.

Ele diz que a irmã chegou a dizer que desmarcaria uma sessão de bronzeamento que tinha por "não saber se estaria viva ainda no domingo".

"A minha irmã era tudo para mim. Eu chamava ela de mãe, pedia conselhos, ela não merecia morrer desse jeito. Não dá para entender por que o Maciel fez isso", afirmou.

A amiga e companheira de trabalho da gari, Magda Neiva trabalhou os últimos quatro meses com a vítima e disse que "era só diversão trabalhar com ela".

"Ela era muito apaixonada pelos filhos, pela família, só pensava nele [no ex-marido]. Foi uma ótima esposa, dedicada. Ainda não acredito que a minha amiga se foi de uma maneira tão cruel e difícil", contou.

O corpo de Jacqueline foi velado e enterrado na manhã desta quarta-feira (08), no cemitério do Novo Gama, em Goiás. Já o enterro de Maciel ocorreu em Luziânia, também na região de Goiás. Os dois deixam três filhos, dois ainda adolescentes.

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