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RJ tem recorde de roubos de rua e mortes em confronto; homicídios caem

JOSE LUCENA/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
28.jan.2019 - Policial militar participa de operação em favela na zona sul do Rio de Janeiro Imagem: JOSE LUCENA/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Igor Mello

Do UOL, no Rio

2019-05-20T18:32:18

20/05/2019 18h32

Dados divulgados pelo ISP (Instituto de Segurança Pública) hoje mostram que o estado do Rio de Janeiro teve, entre janeiro e abril de 2019, recordes de roubos de rua e de mortes em confronto com a polícia desde que esse tipo de ocorrência passou a ser compilada.

Ao mesmo tempo, segundo o órgão, houve recuo de 25,8% na taxa de homicídios em relação ao primeiro quadrimestre de 2018.

558 mortos pelas Forças de segurança pública

  • Maior número para o período janeiro-abril desde 1998
  • Aumento de 19% em relação ao mesmo período em 2018
  • Em nota, a Polícia Militar do Rio disse que "as mortes em decorrência de intervenção policial estão em trajetória de queda desde o início do ano. Mais importante ainda é a redução dos demais indicadores criminais classificados no campo da letalidade violenta, como homicídio doloso e latrocínio."

44.698 roubos de celular, a transeuntes ou em coletivos

  • Maior número para o período janeiro-abril desde 1991
  • Aumento de 2,5% em relação ao mesmo período em 2018
  • Só de celulares, foram 9.586 roubos - alta de 13% em relação ao mesmo período em 2017

A Polícia Militar foi questionada sobre os recordes de roubos de rua e homicídios por intervenção policial no estado, mas não respondeu até o momento.

2.020 mortes violentas

  • Índice inclui homicídio doloso, latrocínio, lesão corporal seguida de morte e homicídio por intervenção policial
  • Recuo de 17,9% em relação ao mesmo período em 2018
  • Os homicídios dolosos caíram 25,8% -- de 1.893 em 2018 para 1.405 neste ano.

Postura do governador é alvo de denúncias

Em campanha e à frente do governo, Wilson Witzel (PSC) defende abertamente que policiais "abatam" criminosos com armas de uso restrito, como fuzis.

Por conta de suas declarações, Witzel se tornou alvo de uma investigação preliminar na PGR (Procuradoria-Geral da República), como o UOL revelou no começo do mês.

O governador do Rio também foi alvo de denúncias na ONU (Organização das Nações Unidas) e na OEA (Organização dos Estados Americanos).

Recentemente, o Rio teve as duas operações policiais com mais mortos desde 2013: em fevereiro, uma ação da PM matou 15 pessoas nas comunidades do Fallet e Fogueteiro, em Santa Teresa; no começo desse mês, a Polícia Civil matou oito pessoas no complexo da Maré, zona norte do Rio.

Em ambos os casos, a Defensoria Pública do estado e a Defensoria Pública da União recolheram relatos de moradores denunciando suspeitos assassinados mesmo depois de serem rendidos pelos policiais. Após a repercussão negativa da ação na Maré, o governador Wilson Witzel defendeu a operação.

"Se você reclamar da atuação da polícia, é melhor não ter polícia. Se formos reclamar que tem polícia na rua e trabalhando, então é melhor fechar isso aqui e entregar a chave para o tráfico de drogas. A princípio, quem foi morto é porque estava de fuzil e atirou contra a polícia", afirmou ao jornal "O Globo".

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