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Polícia estuda indiciar por homofobia suspeitos de agredir jovem gay em GO

Jéssica Nascimento

Colaboração para o UOL, em Brasília

17/07/2019 21h07

A Polícia Civil de Goiás estuda indiciar dois presos por suspeita de agredir um rapaz gay anos em Goiânia em de 6 julho com base na decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), de quase um mês atrás, de utilizar a legislação de racismo para punir homofobia e transfobia.

Segundo o delegado responsável pelo caso, Carlos Caetano, a agressão foi inicialmente registrada como injúria e lesão corporal, mas alterada na sequência pelos indícios de que se enquadraria na lei do racismo.

"Agora a homofobia é um crime inafiançável, e a dupla pode ser punida com um a cinco anos de prisão", disse Caetano.

A vítima, um comerciante de 24 anos, afirma que ia ao trabalho quando passou pelos suspeitos na rua, dois rapazes de 20 anos. Eles teriam proferido xingamentos por sua orientação sexual.

"Foi puramente ódio por eu ser gay. Eles são homofóbicos", diz a vítima, que teve ferimentos no rosto e passou por exame de corpo de delito.

Vítima afirma ter ouvido que "veado tem que morrer"

Imagens obtidas pela polícia mostram um breve trecho do caso: a vítima é seguida por dois homens, e um deles desfere um soco. Depois, os três saem do ângulo da câmera, e os dois acusados de agressão saem correndo.

"Disseram que veado tinha que apanhar e morrer. Eu continuei andando um pouco mais e eles vieram atrás de mim e me bateram até eu correr, e durante todo o tempo eles me xingando de bicha, falando que iam me ensinar a ser macho na base da porrada", disse o jovem ao UOL.

Os suspeitos foram presos no mesmo dia.

"A vítima veio registrar um boletim de ocorrência e imediatamente fomos atrás das imagens do circuito interno de segurança. Divulgamos nas redes sociais e populares delataram os suspeitos", disse o delegado.

Segundo o delegado, um dos suspeitos disse ter sido provocado pela vítima e por isso agrediu com socos. O jovem nega as acusações e afirma que as únicas palavras proferidas aos agressores foram ditas depois apanhar.

A vítima, que ficou com o rosto machucado, fez exame de corpo de delito e registrou um boletim de ocorrência no 4º Distrito Policial de Goiânia.

"Eu disse que eu só estava indo trabalhar, nada mais. Isso que eles falaram para tentar tirar o foco do crime deles é mentira e todos que me conhecem sabem que eu sou uma pessoa que milita sempre a favor das causas que eu acredito. Jamais seria capaz de atacar uma pessoa assim. Nunca", esclarece a vítima.

Advogados negam

Em nota, o advogado que representa os suspeitos, Eduardo Brown, disse que estudantes são pessoas ilibadas e de boa índole, que convivem em sociedade em perfeita harmonia. Ele ainda afirma que os clientes não são homofóbicos e até têm amigos homossexuais.

"Por isso, refutamos qualquer afirmação de crime motivado por discriminação sexual. Até porque os suspeitos e a vítima não se conhecem e, pelos trajes usados pela suposta vítima (calça e camiseta), jamais poderiam denotar uma postura sexual hétero ou não", disse.

O texto ainda pontua que os fatos narrados pela vítima não "coadunam com a realidade fática" e que a questão sexual apenas se tornou conhecida pelos estudantes com a divulgação pela internet.

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