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"Eu não tenho mais nora", diz mãe de pastor assassinado sobre Flordelis

A deputada federal Flordelis (PSD-RJ) e o pastor Anderson do Carmo - Reprodução/Facebook
A deputada federal Flordelis (PSD-RJ) e o pastor Anderson do Carmo Imagem: Reprodução/Facebook

Marina Lang

Colaboração para o UOL, no Rio

24/07/2019 17h06

A mãe do pastor evangélico Anderson do Carmo, 42, assassinado a tiros em 16 de junho me Niterói (RJ), rompeu relações publicamente com a deputada federal Flordelis (PSD-RJ) na tarde de hoje. Carmo era casado com a deputada desde 1994.

Maria Edna Virgílio de Oliveira, 64, prestou nesta quarta-feira (24) depoimento à polícia por cerca de três horas na Divisão de Homicídios de Niterói e São Gonçalo. "Deixa eu te falar? Esquece de minha nora. Eu não tenho mais nora", disse a mãe de Carmo, referindo-se à parlamentar, ao deixar a delegacia.

Questionada sobre se gostaria de falar com Flordelis, ela respondeu: "Nem um pouco. E está tudo bem".

O teor do depoimento da mãe de Carmo não foi revelado porque o inquérito policial corre sob sigilo de Justiça.

Maria Edna, que mora em São Miguel Paulista (bairro da zona leste de São Paulo), foi ao Rio para participar de ato em homenagem ao pastor organizado pelos filhos que se afastaram de Flordelis.

21.jul.2019 - Da esquerda para a direita: Michelle de Souza (irmã de Carmo), pastor Luan Santos, vereador Misael, a mãe do pastor, Maria Edna, e Daniel dos Santos de Souza, filho biológico de Flordelis e Carmo, em ato em memória do pastor em São Gonçalo (RJ) - Marina Lang/UOL
21.jul.2019 - Da esquerda para a direita: Michelle de Souza (irmã de Carmo), pastor Luan Santos, vereador Misael, a mãe do pastor, Maria Edna, e Daniel dos Santos de Souza, filho biológico de Flordelis e Carmo, em ato em memória do pastor em São Gonçalo (RJ)
Imagem: Marina Lang/UOL

Perguntada sobre os dois netos que estão presos e que são suspeitos do assassinato de Carmo, ela declarou: "Só tenho três", referindo-se a Daniel dos Santos de Souza (único filho biológico do casal), Alexander Felipe Matos Mendes, também conhecido como pastor Luan, e Vagner de Andrade Pimenta, conhecido como vereador Misael.

Os três romperam com a igreja Ministério Flordelis, abrindo uma dissidência no clã Flordelis --ao todo, o casal tinha 55 filhos, a maioria adotivos. Após o assassinato, a parlamentar também viu fiéis deixarem a igreja e fechou as portas de um dos templos em razão do afastamento de dirigentes.

Maria Edna relatou que Carmo não se queixou sobre a família ou eventuais ameaças recebidas antes do crime.

"Como mãe é muita saudade, é muita tristeza, é muita angústia dentro de mim. Foi um pedaço que arrancaram de mim que nunca mais vai voltar. Eu estou muito triste, muito chocada. Só quero muita justiça. Só isso. Que ela seja feita", declarou.

Procurada pelo UOL a respeito das declarações da mãe de Carmo, a deputada federal Flordelis disse que não vai se manifestar.

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