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Perícia no Badim termina e parte do gerador é levada para análise

Parte carbonizada do gerador é retirada do Hospital Badim por peritos - Lola Ferreira/UOL
Parte carbonizada do gerador é retirada do Hospital Badim por peritos Imagem: Lola Ferreira/UOL

Lola Ferreira

Do UOL, no Rio

14/09/2019 11h23

Terminou por volta das 10h30 de hoje a segunda parte da perícia no Hospital Badim, atingido por um incêndio na noite de quinta (12). Por duas horas, a Polícia Civil esteve no subsolo do prédio para analisar o gerador, que já foi confirmado ter sido o foco do incêndio. Peritos deixaram o local com uma parte carbonizada do equipamento para análise.

De acordo com a perícia, o trabalho de hoje foi um complemento do que teve início ontem. O próximo passo é esperar o Badim entrar em contato com a empresa responsável pela manutenção do gerador, pois há uma peça do equipamento que só é possível analisar após a desmontagem (somente a empresa poderá fazer isso). Não há previsão exata de quando será feito esse procedimento, mas um dos peritos cogita já na segunda-feira (16). Todo o restante dos andares afetados já passou por perícia.

O delegado Roberto Ramos, titular da 18ª DP e responsável pela investigação, explicou que a peça a ser analisada após a desmontagem do gerador é importante para o "teste de bancada", que irá reforçar a tese dos peritos de que o equipamento foi responsável pelo incêndio. Entretanto, ainda é prematuro afirmar que houve negligência do Badim em relação à manutenção do gerador.

"Nós vamos ver toda a parte técnica. Sabemos que o problema foi no gerador. Agora vai fazer o estudo mais aprofundado para saber da manutenção e como se deu esse problema que gerou o incêndio. Por isso é preciso fazer o teste de bancada."

Ramos falou que, a partir de agora, o foco será ouvir "todo mundo que for necessário para as investigações".

Enterro de cinco vítimas

Cinco das 11 vítimas fatais do incêndio são sepultadas hoje. Ontem, dez dos corpos foram identificados pelo Instituto Médico Legal e liberados. Os mortos tinham entre 66 e 93 anos.

Luzia dos Santos Melo, 88, foi enterrada no Cemitério do Caju, e Darcy da Rocha Dias, 88, no Cemitério de Inhaúma.

Luzia estava internada no CTI do hospital desde quarta-feira (11) com pneumonia e teria alta na próxima semana. Seu filho, Emanuel Ricardo, é uma das testemunhas que afirma ter ouvido um barulho de explosão e depois um cheiro forte de óleo diesel. Ele havia reclamado da fumaça cerca de 40 minutos antes do horário apontado como início do incêndio.

Virgílio Claudino da Silva, 66, e Irene Freitas, 83, foram enterrados no Cemitério do Catumbi.

A família de Virgilio afirma que ele morreu de embolia pulmonar, após inalar a fumaça do incêndio. Ele estava internado há 70 dias em decorrência de um AVC. Irene estava internada por desidratação e havia suspeita de câncer, de acordo com sua filha.

Às 16h, acontece o enterro de Maria Alice Teixeira da Costa, 75, no Cemitério São Miguel, em São Gonçalo, região metropolitana do Rio. Ela estava internada desde a segunda-feira (9) e a família passou a noite de quinta, data do incêndio, procurando por ela.

A família reclamou que não houve nenhuma comunicação por parte do hospital. A acompanhante de Maria Alice, Gigiane dos Santos, despencou do terceiro andar do hospital ao tentar fugir do incêndio usando uma corda. Ela fraturou os dois tornozelos.

Polícia investiga causas do incêndio no Hospital Badim

bandrio

Cotidiano