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Caso Ághata: o que dizem a família e a PM sobre a morte da menina no RJ

Ágatha Félix morreu após ser atingida por um tiro nas costas - Voz das Comunidades
Ágatha Félix morreu após ser atingida por um tiro nas costas Imagem: Voz das Comunidades

Ana Carla Bermúdez

Do UOL, em São Paulo

23/09/2019 13h25

Atingida por um tiro de fuzil nas costas, a menina Ághata Felix, de 8 anos, morreu na madrugada de sábado (21) no Rio de Janeiro. Ela estava dentro de uma Kombi no Complexo do Alemão, zona norte da capital fluminense, quando foi baleada na noite de sexta-feira (20).

Segundo a Folha, a garota voltava para casa com a mãe. Ághata chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos.

Familiares e a PM (Polícia Militar) apresentam versões diferentes sobre o caso. Veja o que dizem cada um deles.

O que dizem a família e moradores

Familiares e moradores relatam que o disparo que atingiu Ághata partiu da polícia, que teria atirado contra uma moto que passava perto do veículo onde estava a menina.

Segundo eles, não acontecia nenhum tipo de ataque ou confronto naquele momento.

"A polícia matou um inocente. Não teve tiroteio nenhum. Foi dois disparos que ele [policial] deu. É mentira!", disse um homem que seria o motorista da Kombi durante o enterro da menina, ocorrido ontem. O homem afirmou ainda ter visto um policial atirando.

No Twitter, o perfil Voz das Comunidades, veículo de comunicação das favelas do Rio, afirma não ter recebido relatos de troca de tiros.

"Inúmeros moradores afirmam que os polícias (sic) que estavam na esquina do Estofador desconfiaram de algumas pessoas na moto e atiraram. O tiro acabou atingindo a criança que estava dentro da Kombi", escreveu o perfil.

O que diz a PM

A PM (Polícia Militar) diz que houve troca de tiros. Segundo a corporação, policiais foram atacados simultaneamente por criminosos em diferentes pontos da comunidade do Alemão.

"Policiais da UPP [Unidade de Polícia Pacificadora] Fazendinha foram atacados de vários pontos da comunidade de forma simultânea. A equipe revidou à agressão", escreveu a PM em seu perfil no Twitter.

A corporação nega que o disparo que atingiu Ághata tenha partido da polícia.

"Não há nenhum indicativo, nesse momento, de uma participação do policial militar no triste episódio que vitimou a pequena Ághata", disse Mauro Fliess, porta-voz da PM do Rio de Janeiro.

O que acontece agora

As circunstâncias da morte de Ághata serão investigadas pela Polícia Civil.

Em nota divulgada ontem, o governo do Rio de Janeiro disse que o governador Wilson Witzel (PSC) "determinou máximo rigor" nas investigações. Witzel, no entanto, ainda não se manifestou diretamente sobre o caso.

Segundo a Folha, a Polícia Civil já ouviu parentes da menina, o motorista da Kombi e outras testemunhas. O veículo já passou por perícia.

Policiais militares envolvidos na ação que resultou na morte da menina devem prestar depoimento ainda hoje.

Em nota, o MPRJ (Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro) informou que vai acompanhar as investigações da Polícia Civil sobre a morte de Ághata.

Cotidiano