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Moro libera vagas em presídios federais após novos ataques no Ceará

O ministro da Justiça, Sergio Moro - REUTERS/ANDRE COELHO
O ministro da Justiça, Sergio Moro Imagem: REUTERS/ANDRE COELHO

Do UOL*, em São Paulo

24/09/2019 17h47

O ministério da Justiça e Segurança Pública anunciou, na tarde de hoje, que vai liberar vagas em presídios federais para receber criminosos que possam ter relação com os novos ataques no Ceará. Nos últimos três dias, pelo menos 15 ataques ou tentativas foram registrados em três cidades. A ordem teria partido da facção criminosa GDE (Guardiões do Estado), em resposta à repressão e "crueldade" de agentes públicos dentro dos presídios.

"O Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio do Departamento Penitenciário Nacional, disponibilizou vagas no Sistema Penitenciário Federal para receber líderes criminosos que estejam envolvidos em ações no Ceará. O Depen aguarda a lista de presos por parte do governo do Ceará e a autorização do juiz da origem. Por questões de segurança não são informados detalhes sobre número de vagas.", diz a nota enviada pelo ministério.

O UOL reportou que, ontem, pelo menos três ataques foram registrados. De manhã, um carro da empresa de energia Enel foi incendiado no Conjunto Esperança. A empresa diz que ninguém se feriu na ação. À tarde, um ônibus foi atacado e incendiado por homens encapuzados no bairro Pedras, também em Fortaleza. Outro coletivo foi queimado no bairro Aracapé, em Fortaleza.

Já na madrugada de domingo, houve tentativa de incêndio de três caminhões na BR-116, em Messejana, e a um posto de combustível em Quixadá (sertão do estado).

Por meio de suas redes sociais, o governador do Ceará, Camilo Santana (PT), afirmou que as forças de segurança do estado "têm trabalhado de forma intensa para combater esses atos criminosos e garantir a segurança da população."

"Todos aqueles que buscarem agir contra a lei serão presos e punidos. Não haverá tolerância com ações que atentem contra a sociedade. E quanto às medidas moralizadoras que temos tomado nos presídios, reafirmo que continuarão cada vez mais fortes, sem retorno de regalias.", escreveu o governador hoje.

Oito meses depois

Os ataques dos últimos dias podem ser considerados a quinta série de atentados encampados por facções criminosas no Ceará desde 2016. A última onda aconteceu em janeiro deste ano. Entre os dias 2 e 22 daquele mês, foram registradas mais de 200 ocorrências, entre incêndios e explosões a viadutos, torres de transmissão, veículos e prédios públicos e privados.

No Ceará, três facções dominam o tráfico de drogas e lutam por domínio de bairros e presídios: PCC (Primeiro Comando da Capital), CV (Comando Vermelho) e GDE (Guardiões do Estado). Além deles, há ainda presos faccionados à Família do Norte, mas em menor número e sem atuação mapeada fora dos presídios.

*Com reportagem de Carlos Madeiro, colaboração para o UOL em Maceió

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