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Familiares de vítimas de Paraisópolis participam de passeata por justiça

Felipe Pereira

Do UOL, em São Paulo

04/12/2019 17h35

Centenas de pessoas participam de uma passeata que vai de Paraisópolis até o Palácio Bandeirantes e foi convocada em reação à morte de nove participantes de um baile funk na madrugada de sábado para domingo na comunidade. As famílias de três vítimas compareceram ao evento.

O ponto de concentração foi a entrada da viela em que a tragédia aconteceu e os moradores da comunidade atribuem a tragédia a ação da PM (Polícia Militar). Uma faixa pede justiça e vários cartazes foram exibidos, inclusive um que estampa a foto das vítimas.

Os policiais militares envolvidos na operação prestaram depoimento e alegaram que estavam perseguindo dois homens em uma moto porque a pessoa na garupa atirou contra um patrulhamento da Rocam. Os supostos criminosos teriam entrado no baile, feito mais disparos e provocado tumulto que terminou nas mortes por pisoteamento.

A organização da passeata divulgou uma carta com nove pedidos, entre eles, pedem investigação transparente, que o governador João Doria receba as famílias das vítimas, a não criminalização do funk e opções de lazer em Paraisópolis.

"O que nós queremos aqui é que essa ação seja investigada e que os responsáveis sejam julgados", disse Danilo, irmão de Denys Henrique Quirino da Silva, jovem de 16 anos morto na ocasião.

Ao falar para os manifestantes, Danilo criticou a postura do governador João Doria, responsabilizou a Secretaria de Segurança Pública do Estado e disse: "A gente entende que o que aconteceu aqui não foi uma fatalidade, o que aconteceu aqui não foi sem querer".

Raquel Cruz, mãe de Gustavo Cruz, 14 anos, era só perguntas. "Quero saber por quê? Qual o motivo? Por que num baile funk, mas não fecha rave que dura três dias. Quero respostas. Eles eram jovens".

Policiais barram a passagem de moradores de Paraisópolis que queriam protestar em frente ao Palácio dos Bandeirantes - Felipe Pereira/UOL
Policiais barram a passagem de moradores de Paraisópolis que queriam protestar em frente ao Palácio dos Bandeirantes
Imagem: Felipe Pereira/UOL

PM barra passagem

A manifestação tinha destino o Palácio dos Bandeirantes. Mas não foi possível num primeiro momento porque a Polícia Militar formou uma barreira antes.

Um oficial que se identificou como capitão Telhada informou que havia duas determinações do comando: não passar motos e selecionar uma comissão para ir até a frente do Palácio.

Houve negociação e os participantes da passeata, a PM e o Palácio dos Bandeirantes buscavam um entendimento. Enquanto aguardavam reposta, os integrantes da passeata soltaram fogos de artifício. A situação é acompanhada por jornalistas, pessoas ligadas a movimentos sociais e familiares das vítimas.

Cotidiano