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Motorista que matou médico que pagava promessa no MA é condenado à prisão

O médico urologista Luís Carlos Muniz Cantanhede, 56, morreu ao ser atropelado enquanto caminhava no acostamento da rodovia MA-204, na ilha de São Luís (MA) - Arquivo pessoal
O médico urologista Luís Carlos Muniz Cantanhede, 56, morreu ao ser atropelado enquanto caminhava no acostamento da rodovia MA-204, na ilha de São Luís (MA) Imagem: Arquivo pessoal

Aliny Gama

Colaboração para o UOL

04/12/2019 18h26

Gilson Carlos Barros Ferreira foi condenado a nove anos e seis meses de prisão por ter atropelado e matado o médico urologista Luís Carlos Muniz Cantanhede, 56, na rodovia MA-204, em março do ano passado. O médico estava pagando uma promessa, indo a pé de São Luís para o santuário de São José de Ribamar, na região metropolitana, após se curar de um câncer, quando um carro conduzido por Ferreira invadiu o acostamento e o atropelou. A vítima morreu durante atendimento médico.

Ferreira foi denunciado pelo Ministério Público pelo crime de homicídio com dolo eventual (quando se assume o risco de matar alguém) e por embriaguez ao volante. O crime é inafiançável. Ele está preso em uma unidade prisional do sistema penitenciário de Pedrinhas, em São Luís.

O acidente

De acordo com a denúncia do Ministério Público, Gilson Carlos Barros Ferreira dirigia o veículo Celta, de cor prata, em alta velocidade, no sentido contrário da MA-204, no sentindo São José de Ribamar/Paço do Lumiar, quando perdeu o controle de direção do carro, saindo pela esquerda da pista, entrou na contramão e invadiu o acostamento atingindo, violentamente, a vítima. O médico foi arremessado contra o para-brisa do veículo enquanto o carro saiu da pista lateralmente e capotou. Em seguida, o condutor saiu do veículo e passou a discutir com familiares do médico e outras pessoas que passavam pelo local. Depois, subiu na garupa de uma motocicleta e fugiu.

"Gilson foi perseguido por um agente penitenciário que passava no local e conduzido ao Batalhão da Polícia Militar, situado no bairro Nova Canaã. Lá, os policiais perceberam que o acusado apresentava sinais de embriaguez alcoólica, pelo que solicitaram que se submetesse ao teste de alcoolemia, tendo sido constatado seu estado de embriaguez. Em razão disso, foi o acusado preso em flagrante delito", relata os autos do processo.

De acordo com a denúncia do MP, durante depoimento do réu, prestado à polícia logo após ser preso, ele confessou que ingeriu duas garrafas de cerveja e que, na noite anterior, bebeu meio litro de conhaque. A perícia verificou que os pneus frontais estavam com as bandas de rodagem desgastadas, o que é proibido de acordo com o Código de Trânsito Brasileiro.

Durante o julgamento, a defesa dele contestou que o acusado estivesse embriagado, em alta velocidade e que ele fugiu do local do acidente. A defesa alegou ainda que o veículo ficou desgovernado depois de cair em um buraco na pista ao tentar desviar de um caminhão. Além disso, que o réu foi retirado do local por um agente penitenciário pelo risco de ser linchado e se apresentou no posto policial mais próximo ao local do acidente.

Entretanto, testemunhas ouvidas no julgamento afirmaram que não havia nenhum outro veículo na pista, a não ser o conduzido pelo réu, e que no momento do atropelamento não estava mais chovendo, embora a pista estivesse molhada.

O Conselho de Sentença entendeu que Gilson Ferreira é culpado pela morte do médico e foi imputada a pena de nove anos e seis meses de prisão. Ele já cumpriu um ano, oito meses e sete dias. A Justiça determinou ainda que o condenado não poderá recorrer em liberdade. A defesa do réu informou que vai recorrer da decisão.

Em abril do ano passado, a defesa de Ferreira pediu um habeas corpus para que ele respondesse ao crime em liberdade, mas o pedido foi indeferido devido aos crimes que ele fora acusado na denúncia do Ministério Público.

A vítima

O médico Luís Carlos Muniz Cantanhede estava com a família caminhando pelo acostamento da rodovia MA-204, na ilha de São Luís, por volta das 8h da manhã do dia 25 de março do ano passado, quando um Celta conduzido por Ferreira invadiu o acostamento e o atropelou. Cantanhede ainda foi socorrido para o hospital São Domingos, em São Luís, mas morreu durante atendimento médico.

Cantanhede era ciclista e foi diagnosticado com câncer, tipo melanoma. A doença era rara e agressiva, mas ele conseguiu se curar. Durante o tratamento, um irmão dele fez uma promessa que se o médico se curasse a família iria com ele a pé até o santuário de São José de Ribamar.

O grupo saiu nas primeiras horas do dia acompanhando Cantanhede para pagar a promessa. A caminhada iniciou no bairro Olho D' Água, em São Luís, com destino ao município de São José de Ribamar.

No trajeto, o médico caminhava próximo a dois primos, que estavam mais à frente, e os demais familiares, vinham pouco mais atrás, cerca de 150 metros. O veículo atingiu apenas Cantanhede.

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