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PM usou pelo menos 7 bombas e 8 balas de borracha em Paraisópolis, diz TV

Mortes em Paraisópolis: vídeo mostra correria e PM jogando bombas

UOL Notícias

Do UOL, em São Paulo

16/01/2020 14h15

Resumo da notícia

  • Inquérito que investiga nove mortes em baile na comunidade de Paraisópolis indica o uso de pelo menos sete bombas de gás lacrimogêneo por parte da PM
  • Informação foi divulgada hoje pela Rede Globo. Documento cita ainda ao menos oito disparos de balas de borracha contra os frequentadores
  • Informações são baseadas em depoimentos. Nem todos os policiais souberam precisar o número de munições químicas e não letais utilizadas
  • Inquérito ainda refez trajetos de policias em motos e viaturas na noite do baile; relatos sugerem possível cerco a frequentadores

O inquérito que investiga as nove mortes ocorridas no Baile da DZ7, em Paraisópolis, zona sul de São Paulo, em 1º de dezembro, aponta que pelo menos sete bombas de gás lacrimogêneo foram arremessadas por policiais militares, responsáveis ainda por no mínimo oito disparos de balas de borracha contra o público. As informações foram divulgadas hoje pela Rede Globo.

Os números são creditados a relatos presentes no documento, que tem 1039 páginas e reúne depoimentos e laudos periciais. De acordo com a emissora, nem todos os policiais envolvidos na ação disseram a quantidade de munição química e não letal que utilizaram.

Os 31 agentes envolvidos na ação prestaram depoimento à Corregedoria da Polícia Militar de SP e foram retirados das ruas, sendo colocados em ações administrativas. Ainda segundo os depoimentos de policiais, pelo menos três equipes confirmaram o uso de cassetetes contra os frequentadores do baile.

O inquérito ainda refez o trajeto de motos e viaturas na data, com base em aparelhos de GPS instalados nos veículos. Conforme o documento, PMs perseguiram dois homens em uma moto pela rua Rodolf Lotze, mas os perderam de vista na esquina com a rua Ernest Renan — onde ocorria o baile. Então, recuaram, pediram reforço pelo rádio e entraram na rua Iratinga.

De lá, foram até a avenida Dr. Flávio Américo Maurano, viraram à esquerda e encontraram viaturas. Em seguida, viraram novamente à esquerda e entraram na rua Ernest Renan, até a esquina com a Rodolf Lotze, onde se depararam com mais duas viaturas da Força Tática que chegaram como reforço.

Uma quadra à frente, na esquina da Rodolfo Lotze com a rua Herbert Spencer, estavam quatro viaturas. Segundo testemunhas, a multidão ficou cercada entre as duas esquinas.

Em nota enviada à emissora, a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) afirmou que "ambos os inquéritos acerca dos fatos ocorridos em 1º de dezembro, em Paraisópolis, seguem em andamento". "Qualquer conclusão antes do término das investigações é prematura", diz.

Ainda segundo o texto, "todas as circunstâncias relativas ao caso são apuradas pelo DHPP e pela Corregedoria da Polícia Militar". Os laudos periciais já concluídos são analisados pelas autoridades, que também realizam diligências e oitivas com policiais e testemunhas para esclarecer os fatos. Os agentes envolvidos na ocorrência permanecem em trabalho administrativo", completa a nota.

Ouça o podcast Ficha Criminal (https://noticias.uol.com.br/podcast/ficha-criminal/), com as histórias dos criminosos que marcaram época no Brasil.

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