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Chuva deixa mortos e desabrigados em MG; BH supera marca de 110 anos

Marcelo Oliveira

Do UOL, em São Paulo*

24/01/2020 13h58Atualizada em 24/01/2020 22h41

Resumo da notícia

  • Bombeiros registraram mortes após temporais no estado
  • Chuva bateu recorde histórico em Belo Horizonte

Ao menos três pessoas morreram hoje em decorrência das fortes chuvas em Minais Gerais. Os temporais provocaram alagamentos e deslizamentos de terra na capital e em diversos municípios do estado. Centenas de pessoas tiveram de deixar suas casas em decorrência das chuvas.

Uma mãe, uma criança de seis anos, e um bebê de seis meses, morreram soterrados em um deslizamento no bairro de Vila Ideal, em Ibirité, cidade da região metropolitana de Belo Horizonte, segundo o Corpo de Bombeiros. A residência onde estavam desabou.

Outra mulher, madrinha de um dos meninos, ainda é procurada no mesmo soterramento. A casa onde as quatro vítimas estavam foi atingida por um deslizamento ocorrido na manhã de hoje.

Segundo a Defesa Civil de Minas Gerais, 1.940 pessoas estão desalojadas e tiveram que deixar suas casas, sendo que, desse total, 403 estão desabrigadas e precisaram ser levadas para abrigos públicos.

Bombeiros trabalham na busca de vítimas no desabamento em Ibirité, na região metropolitana de Belo Horizonte - Uarlen Valério/O Tempo/Estadão Conteúdo
Bombeiros trabalham na busca de vítimas no desabamento em Ibirité, na região metropolitana de Belo Horizonte
Imagem: Uarlen Valério/O Tempo/Estadão Conteúdo

Sinais de alerta

Segundo o tenente-coronel Flavio Godinho, coordenador-adjunto da Defesa Civil de Minas Gerais, a situação no estado passou de emergência hidrológica (risco de cheias) para geológica (risco de deslizamentos), pois o solo está muito encharcado e instável. Se árvores surgirem inclinadas ou muros de arrimo começarem a ceder, as autoridades pedem que a população informe.

A Defesa Civil de Belo Horizonte informou que novas chuvas de diferentes intensidades ocorrerão nas próximas horas e pediu que a população redobre atenção.

De acordo com boletim do órgão divulgado nesta manhã, houve rompimento de uma barragem de reservatório de água em Aricanduva (a 400 quilômetros de Belo Horizonte) com consequente elevação do nível de água do rio São Lourenço, que corta o município. Algumas edificações construídas às margens foram atingidas, mas não houve vítimas e os danos materiais ainda não foram contabilizados.

O Igam (Instituto Mineiro de Gestão das Águas) divulgou um boletim informando que as chuvas fortes vão persistir no estado.

Chuva quebra recorde histórico em Belo Horizonte

As chuvas que atingem Belo Horizonte desde a noite de quinta-feira (23) quebraram um recorde histórico na cidade. De acordo com o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), entre 9h01 de ontem e 9h de hoje, o acumulado foi de 171,8 mm —o maior volume em 24 horas desde o início das medições, em 1910.

Antes disso, o maior volume já registrado na capital mineira era do dia 14 de fevereiro de 1978, quando o acumulado em 24 horas foi de 164,2 mm.

Ao UOL, o Inmet informou que o mau tempo tende a se estender pelo menos até a manhã do domingo. Às 15h26, a Defesa Civil de Belo Horizonte informava que a chuva forte na cidade se concentrava nas regiões oeste e centro sul, mas foram registrados alagamentos nas nove regiões administrativas da capital.

A avenida Cristiano Machado, uma das vias mais importantes da cidade, ficou alagada na altura da estação São Gabriel e foi interditada por quase duas horas, apesar disso a estação não chegou a ser interditada.

O acumulado das chuvas do mês de janeiro de 2020 ainda supera muito a média do mesmo período em anos anteriores: são 666,8 milímetros no acumulado do primeiro mês deste ano, contra 329,1 da média de janeiro de todos os anos. O maior volume acumulado no período foi registrado em 1985, quando o acúmulo nos 31 primeiros dias do ano foi de 850,3 milímetros.

* (Com Agência Brasil)

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