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Rio teve mais de 50 pessoas baleadas durante isolamento por coronavírus

Tiroteios no Rio de Janeiro cresceram durante período de isolamento por conta da pandemia de covid-19 - Getty Images
Tiroteios no Rio de Janeiro cresceram durante período de isolamento por conta da pandemia de covid-19 Imagem: Getty Images

Igor Mello

Do UOL, no Rio

31/03/2020 12h08

Mesmo com ruas vazias por conta do isolamento forçado pela chegada da pandemia de covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, a Região Metropolitana do Rio de Janeiro teve mais de 50 pessoas baleadas em março, apontam dados do Laboratório de Dados sobre Violência Armada Fogo Cruzado obtidos com exclusividade ao UOL.

Entre o 13 de março —quando o governador Wilson Witzel (PSC) decretou as primeiras medidas de restrição de circulação e isolamento— e o dia 31 de março, 51 pessoas foram atingidas por disparos de arma de fogo no Rio, uma média de quase três feridos por dia.

No total, a Região Metropolitana do Rio teve 432 tiroteios em março, cerca de 14 por dia. O número representa um aumento de 8% em relação a fevereiro. Porém, em comparação a março de 2019, quando foram registrados 795 trocas de tiro, houve queda de 46%.

O Fogo Cruzado registrou ainda sete pessoas atingidas por balas perdidas em março, das quais duas morreram. Entre as vítimas o cadeirante Gilmar dos Santos Gonçalves, que morreu ao ser atingido por bala perdida durante operação policial na Vila Kennedy, comunidade da zona oeste do Rio, em 6 de março.

Também foram baleadas três crianças de até 12 anos, com uma morte. Dois idosos foram atingidos por tiros, e ambos morreram.

O Fogo Cruzado registra disparos de arma de fogo na Região Metropolitana do Rio com base em notificações geolocalizadas feitas por usuários de seu aplicativo, informações da imprensa e registros oficiais dos órgãos de segurança pública.

Confrontos de facções motivam aumento

Como o UOL mostrou na última quarta-feira (25), o número de tiroteios na cidade do Rio de Janeiro cresceu durante o período do isolamento, puxado por confrontos entre quadrilhas de traficantes e milicianos pelo controle de comunidades nas zonas norte e oeste da capital. Elas aumentaram na esteira da redução de operações policiais durante a pandemia.

Até o início da crise do coronavírus no Rio, as polícias participavam de 35% dos tiroteios na cidade. Entre os dias 14 e 24 de março, durante as medidas restritivas, esse percentual caiu pela metade, chegando a 17,5% dos confrontos.

O UOL elaborou um mapa mostrando todos os tiroteios com e sem envolvimento de policiais na capital nesse período.

A Vila Kennedy manteve-se pelo sexto mês seguido como a área do Rio com mais trocas de tiros. Foram 27 confrontos em março, segundo os dados da plataforma Fogo Cruzado.

A região, que é controlada pelo CV (Comando Vermelho), esteve no centro de um desses confrontos. Traficantes do grupo partiram de lá para atacar a favela da Carobinha, em Campo Grande, dominada por milicianos da Liga da Justiça, no dia 21.

O segundo ponto com mais tiroteios foi a Cidade de Deus, também na zona oeste, com 16 tiroteios. A comunidade foi a primeira do Rio a registrar casos de coronavírus e, pelas redes sociais, o tráfico local determinou toque de recolher para os moradores para evitar o contágio.

Em terceiro lugar no ranking de tiroteios vem o bairro de Quintino, na zona norte. A área foi palco de disputa violenta entre traficantes do CV e milicianos pelo controle das comunidades do Morro do Dezoito e do Saçu, que são vizinhas. No total, foram registrados 13 trocas de tiro na região em março —nove delas ocorreram entre os dias 14 e 22 de março, quando houve o ápice da guerra.

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