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Sete pessoas da mesma família têm sintomas de coronavírus em Niterói (RJ)

Amacir Nascimento, 91 anos e a filha, Vera Lúcia, 68 - Arquivo Pessoal
Amacir Nascimento, 91 anos e a filha, Vera Lúcia, 68 Imagem: Arquivo Pessoal

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio

03/04/2020 16h36

Uma mulher de 91 anos e o neto de 40 testaram positivo para covid-19 e precisaram ser internados em um hospital particular em Niterói, na região metropolitana do Rio, no mês passado. A cidade é a segunda no estado com maior número de casos confirmados da doença (63), ficando atrás apenas da capital fluminense (798). Os dois sentiram falta de ar, um dos sintomas mais graves ocasionados pelo coronavírus, mas pelo menos outras cinco pessoas da família tiveram febre e tosse. Avó e neto já receberam alta e passam bem.

O primeiro a passar mal, em meados de março, foi o empresário Raphael Freire de Carvalho, de 40 anos. Ele acredita que foi infectado por uma funcionária que passou o Carnaval em Porto de Galinhas (PE) e voltou se queixando de mal-estar.

Raphael, que pratica atividade física frequentemente e luta muay thai, procurou atendimento ao sentir dificuldades para respirar. Ele acredita ter passado o vírus para o restante da família.

"Eu que trouxe para a minha casa. Depois que tive contato com a minha gerente, teve um encontro de família, todo mundo muito junto, agarrado, teve churrasco e piscina. Isso foi no domingo e na segunda todo mundo já começou a apresentar algum sintoma. Eu comecei com falta de ar e logo depois veio a febre. Busquei atendimento no hospital e lá fizeram tomografia e diagnosticaram alteração no pulmão. Fiquei dois dias e meio internado e terminei o tratamento em casa, em isolamento", contou o empresário.

Depois dele, que teve o exame positivo para covid-19, foi a vez de a avó, de 91 anos, ficar internada. Amacir de Nascimento esteve na mesma unidade de saúde, no domingo (29) com os mesmos sintomas e mais debilitada por causa da idade. Ela também teve resultado positivo para covid-19 e permaneceu dois dias no CTI (Centro de Tratamento Intensivo) e mais outros dois dias no quarto. Ela teve alta hospitalar ontem e segue recebendo acompanhamento médico em casa.

"Ela já está se alimentando melhor, está cansadinha ainda, mas já está andando. Um fisioterapeuta está acompanhando ela", contou o empresário.

Filha de Amacir, a dona de casa Vera Lucia Nascimento, 68, afirmou que a família já havia buscado atendimento médico para a idosa, anteriormente. Ela havia sido diagnosticada com pneumonia e teve autorização para fazer o tratamento em casa, com antibióticos.

"Ela começou a sentir mal-estar. Os médicos diagnosticaram que o pulmão estava comprometido, mas que ela poderia se tratar em casa. Depois ela começou a ter falta de ar, vimos a tosse aumentar bastante. Daí fomos para um hospital e na mesma hora internaram. Ela foi direto para o CTI."

Parentes com sintomas

Apesar de duas pessoas na família testarem positivo para covid-19, outros cinco parentes também tiveram sintomas compatíveis com o vírus, como febre e tosse — a recomendação médica foi apenas o isolamento.

Vera Lucia conta que também passou muito mal. "Eu comecei com febre, não aguentava levantar a cabeça do travesseiro, tive muita dor no corpo, parecia que tinha um elefante nas minhas costas, não conseguia ficar em pé, meu corpo não sustentava a minha cabeça. Fiquei três dias assim. Na família foi todo mundo adoecendo. Um por um."

O isolamento obrigatório da família acabou ontem.

Casos no RJ

O RJ registra 41 óbitos em decorrência de complicações causadas pelo covid-19. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, há outras 65 mortes sendo investigadas. O número total de casos subiu para 992 no estado do Rio de Janeiro.

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