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Cotidiano

RJ: número 2 de milícia fez filha bebê de escudo ao ser preso, diz polícia

Herculano Barreto Filho

Do UOL, no Rio

19/05/2020 04h01

Resumo da notícia

  • Delegados disseram que Jiraya se agarrou à filha ao ver policiais
  • Ele é suspeito de ser o braço direito de Ecko, chefe da milícia do RJ
  • A casa dele, onde se deu a prisão, possui piscina, churrasqueira e academia

Cristiano Lima de Oliveira, conhecido como Jiraya, apontado como um dos chefes da maior milícia do Rio, fez a própria filha de escudo humano antes de ser preso, segundo a Polícia Civil. Considerado o braço direito de Wellington da Silva Braga, o Ecko, Jiraya foi preso em flagrante no domingo (17) por porte ilegal de arma (uma pistola de numeração raspada) dentro de casa, em Paciência, zona oeste do Rio.

Com mandados de prisão por homicídio e organização criminosa, ele também é investigado por envolvimento na morte do policial civil Rodrigo Guadagno dos Santos, assassinado ao ser baleado no pescoço em uma ação na última terça-feira (12) na favela de Antares, em Santa Cruz, zona oeste da capital fluminense.

No momento da prisão, ele colocou a família na frente. Usou a própria filha como escudo humano

Gabriel Ferrando, delegado da Draco

Agentes de uma força-tarefa com a participação da Draco (Delegacia de Repressão às Ações Criminosas), Subsecretaria de Inteligência e DGPB (Departamento Geral de Polícia da Baixada) cercaram o local e invadiram o imóvel.

"Ele [Jiraya] estava na sala e correu para o interior da residência, diretamente para o quarto da filha com meses de idade e a agarrou. A companheira dele também se agarrou neles. Ele não queria se entregar. Mesmo abraçado com a filha, resistiu à voz de prisão e teve que ser contido", disse o delegado Felipe Curi, diretor do DGPB, unidade que recebeu as informações sobre o paradeiro do criminoso.

Cristiano Lima de Oliveira, o Jiraya, foi preso no domingo (17) - Polícia Civil - Polícia Civil
Cristiano Lima de Oliveira, o Jiraya, foi preso no domingo (17)
Imagem: Polícia Civil

Vídeos obtidos pelo UOL mostraram detalhes da luxuosa casa onde morava, que tinha piscina, churrasqueira, academia e luzes em LED no teto. Segundo a polícia, a casa se assemelhava a um bunker, estrutura construída para resistir a disparos de arma de fogo.

Acusado de integrar a maior milícia do Rio, Jiraya é apontado como o chefão do grupo paramilitar na favela de Antares, na zona oeste carioca. Segundo a Polícia Civil, ele também era o encarregado por organizar as escalas de segurança de Ecko.

De acordo com investigações da Draco, o suspeito de integrar a milícia costumava andar escoltado por seguranças armados. Jiraya também é investigado por matar um homem em 2017 só porque ele teria pisado sem querer no seu pé.

A reportagem não localizou o advogado de Cristiano para que ele se manifestasse sobre a prisão.

Casa onde foi preso Cristiano Lima de Oliveira, suspeito de pertencer à milícia no Rio, tinha carros e outros artigos de luxo - Divulgação/Sepol - Divulgação/Sepol
Casa onde foi preso Cristiano Lima de Oliveira, suspeito de pertencer à milícia no Rio, tinha carros e outros artigos de luxo
Imagem: Divulgação/Sepol

Polícia desmonta parte da cúpula da milícia

Para o delegado Gabriel Ferrando, da Draco, a prisão de Jiraya indica que a polícia se aproxima do chefe do grupo paramilitar. "Era um indivíduo muito próximo ao Ecko. E esse tipo de prisão, dentro do mundo do crime, passa a mensagem de que estamos muito perto do Ecko. A prisão dele é questão de tempo", diz.

Nos últimos meses, a Draco vem prendendo integrantes da cúpula da maior milícia do Rio. Em maio de 2019, foi preso Felipe Ferreira Carolino, o Zulu, outro homem de confiança de Ecko, conhecido no grupo paramilitar como "homem de guerra", segundo investigações.

Felipe Ferreira Carolino, conhecido como Zulu, é considerado um dos chefes da milícia que atua na zona oeste do Rio - Divulgação/Polícia Civil  - Divulgação/Polícia Civil
Felipe Ferreira Carolino, conhecido como Zulu, é considerado um dos chefes da milícia que atua na zona oeste do Rio
Imagem: Divulgação/Polícia Civil

Em setembro, Paulo Vitor Luciano Lima, o PV, morreu após entrar em confronto com agentes da Draco em Paciência, mesmo bairro onde morava Jiraya, preso no domingo. Segundo a especializada, ele era segurança e porta-voz de Ecko, responsável também por repassar as ordens do chefe aos membros da milícia. Assim como Zulu, PV convocava homens do grupo criminoso para participar de guerras travadas contra o tráfico de drogas, aponta a Draco.

No começo de março, agentes da delegacia especializada prenderam outro braço armado e segurança de Ecko: Mário Lúcio de Souza Cruz, conhecido como Monstrão, em uma operação em Santa Cruz, zona oeste do Rio. Segundo investigadores, ele também era responsável pelo recolhimento do dinheiro obtido por extorsões feitas a moradores e comerciantes.

No mesmo mês, a Draco prendeu Reginaldo Martins do Nascimento, o Naldo da Carobinha. Investigações apontam que ele participava das reuniões convocadas por Ecko.

Em abril, foi capturado em Nova Iguaçu (RJ) Carlos Roberto da Silva Rocha, o Kadu do Gás, chefe de um grupo investigado por formação de cartel e lavagem de dinheiro, que movimentou R$ 191 milhões na Baixada Fluminense, área de expansão da maior milícia do Rio.

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