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1 mês
"Ele partiu pra cima de mim", diz cinegrafista da Globo agredido em Minas

Daniel Leite

Colaboração para o UOL, em Juiz de Fora (MG)

20/05/2020 22h52

Um repórter cinematográfico da TV Integração, afiliada da Rede Globo em Minas Gerais, foi agredido por um comerciante enquanto trabalhava, na tarde de hoje, em Barbacena. Thaís Fullin, jornalista que o acompanhava, filmou parte do que aconteceu. Robson Panzera, 27 anos, admite que deu um soco no empresário, mas afirma que foi por defesa.

Segundo o registro policial, o agressor é Leonardo Rivelli, de 54 anos, e ele teria chamado a emissora de "globolixo", entre outros palavrões, ao se aproximar da equipe da TV, filmando com um celular. Rivelli relatou à PM que apenas chegou perto de Robson, gravando um vídeo com o celular, foi agredido e revidou.

O repórter cinematográfico contou ao UOL que estava gravando uma reportagem quando o comerciante se aproximou de carro, com um celular na mão, filmando e xingando a TV Globo.

Panzera disse ter falado para o empresário que era errado ele dirigir e usar o celular ao mesmo tempo. Foi quando, de acordo com ele, o agressor saiu do carro e continuou filmando e proferindo palavrões. "Ele foi falando que ia filmar, que ia mandar num grupo de 200 pessoas que gostam de ver pessoas da imprensa sendo agredidas. Eu bati palma. Na hora que ele parou de filmar, começou a me agredir, me chamar de bosta, xingar a emissora".

O empresário, diz Robson, ameaçou quebrar o equipamento da TV. "Aí eu falei então eu quero ver. Ele partiu pra cima de mim, tentando chutar o equipamento de alguma maneira".

Um dos chutes acertou o tripé e soltou a câmera, segundo o repórter cinematográfico. O comerciante conseguiu pegar o suporte da câmera e Robson temeu que fosse agredido com o tripé. E ao ser empurrado, diz, deixou a câmera no chão e desferiu um soco no comerciante. "No que ele me empurra, eu largo a câmera num degrau e dou um soco nele. Aí ele toma distância e vem com o tripé, não sei se queria acertar na minha cabeça, no meu braço, eu defendi com a mão, tive uma luxação no dedo, o médico voltou o dedo pro lugar".

Em seguida, o suspeito ainda chutou a câmera e foi embora, diz Robson, que ligou para a empresa onde trabalha e para a polícia. Na chegada dos militares, o comerciante retornou e relatou sua versão à PM, conta Robson. "Eu acho que ainda não caiu a ficha de fato. Não sei como é que vai ser quando voltar a trabalhar. Eu gostaria que ele seja judicialmente punido pelo que ele fez. Eu acho um absurdo isso que ele fez, é inaceitável para os profissionais da imprensa. A gente não pode se calar", relata o repórter cinematográfico.

A filmagem feita pela repórter Thaís Fullin tem pouco mais de um minuto e mostra a luta corporal entre os dois. "Eu estava ouvindo os gritos e agressão, que apesar de ser supererrado, a gente já tá começando acostumado a sofrer agressão verbal quase todo dia na rua. Só que eu vi que as agressões começaram a piorar. E aí quando ele começou a chutar o tripé e eles saíram se batendo na rua, a minha reação foi só começar a filmar, nervosa, do jeito que eu conseguia mesmo. Se eu não mostrasse, ia ficar um contra o outro, porque senão um cara desse depois ia sair como certo".

Antes de ir embora, o empresário chuta a câmera no chão, no final do vídeo.

"Eu estava com as mãos tremendo, nem sei como consegui filmar. Esse perfil de pessoa a gente encontra muito na rua, e a principal característica é achar que vão sair impunes, e a gente não pode deixar isso acontecer. Não é só a gente que está sendo agredido, são jornalistas no país inteiro, e essa situação está inaceitável. Simplesmente porque ele não gosta da linha editorial da Globo, ele não tem o direito de sair agredindo os profissionais que estão na rua trabalhando. É um absurdo e agora foi a gota d'água", disse Fullin.

O UOL não conseguiu localizar o empresário até a publicação desta reportagem.

Cotidiano