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Coronavírus

Vídeo flagra médica sendo jogada no chão; laudo aponta fraturas no joelho

Herculano Barreto Filho

Do UOL, no Rio

07/06/2020 10h36

Resumo da notícia

  • Laudo aponta fraturas na tíbia e fêmur e rompimento de ligamento
  • "Vocês estão malucos?", gritou uma moradora que presenciou a cena
  • Homem que agrediu Ticyana com martelo atacou testemunha pelas costas
  • Vídeo mostra que PM de folga e bombeiros não agiram para impedir agressões
  • Agressor que jogou vítima no chão saiu de cena e reapareceu sem camisa

Um novo vídeo da agressão sofrida pela médica Ticyana Azambuja, espancada por frequentadores de uma festa clandestina na tarde de 30 de maio no Grajaú, zona norte do Rio, mostra o momento em que ela é jogada no chão pelo comerciante Rafael Martins Presta, que comemorava o seu aniversário. Com a queda, ela fraturou o joelho esquerdo. Ticyana também teve lesões nas mãos, pisoteadas pelos agressores.

Um laudo da ressonância magnética obtido com exclusividade hoje pelo UOL mostra que ela sofreu fratura no fêmur, tíbia e ainda sofreu rompimento no ligamento colateral medial do joelho ferido.

A advogada Maíra Fernandes, que representa Ticyana, disse que o vídeo e o resultado do laudo do exame comprovam a gravidade das agressões. "Os vídeos mostram que Ticyana foi jogada no chão, o que lhe causou graves lesões no joelho", disse. No fim do mês, será feito um novo exame no IML.

Nas imagens, feitas por uma moradora do prédio em frente à balada que desrespeitava as regras de isolamento social em meio à pandemia, também é possível ver a agressão sofrida por uma testemunha, agredida com um soco no rosto pelas costas enquanto tentava chamar a polícia. O agressor, de camisa amarela e calça jeans, é o mesmo que usou um martelo para agredir a médica enquanto ela era carregada.

Com 5 minutos e 33 segundos de duração, o vídeo mostra pela primeira vez a movimentação do policial militar Luiz Eduardo dos Santos Salgueiro, dono do Mini Cooper estacionado irregularmente em frente à festa, que teve o retrovisor e o espelho traseiro quebrados por Ticyana.

O PM cruza pelo homem de camisa amarela, que exibe o martelo que ele próprio usou para agredir Ticyana —foi o mesmo usado pela médica para depredar o veículo. Luiz Eduardo caminha em direção à Ticyana para falar algo e apontar em direção ao carro. Em seguida, Rafael a atira no chão.

É possível ouvir a reação de moradores: "Vocês estão malucos?", grita uma mulher. "Jogou ela no chão", diz outra. "Tava todo mundo na festa lá e não tem ninguém com máscara. Todo mundo bebendo", reclama um homem.

Depois de jogar Ticyana no chão, Rafael sai de cena

Três dos quatro agressores já identificados seguem no local: um sujeito careca, que a agrediu com um tapa no rosto, uma mulher identificada como Ester Mendes de Araújo, que a puxou pelos cabelos, e o homem que usou um martelo para atacar a médica.

Luiz Eduardo também permanece no local, mas não demonstra preocupação com as lesões sofridas por Ticyana. Apenas observa os danos ao veículo. Após jogar Ticyana no chão, Rafael sai de cena.

30.mai.2020 - Uma nova confusão começa quando Rafael (sem camisa) se aproxima de um morador, que possivelmente estava acionando a polícia pelo celular. Luiz Eduardo (embaixo) segue ao telefone, alheio ao que acontece - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

Ele só reaparece depois de 1 minuto e 30 segundos, já sem a camisa que usava quando atirou a médica no chão. Ele fala algo a Luiz Eduardo, que logo se afasta e pega o celular. Um morador, que estava de camisa verde, que observou o episódio, usa o celular para acionar a polícia.

Agressão pelas costas

Rafael percebe, se aproxima e grita, gesticulando: "Chama quem você quiser". Nesse momento, o homem de camisa amarela que agrediu Ticyana com um martelo dá um soco na testemunha por trás e se afasta da confusão, caminhando calmamente.

30.mai.2020 - Um homem de camisa amarela (no lado direito da foto) se aproximou e agrediu o morador (de verde) pelas costas, dando início a mais uma confusão. Luiz Eduardo segue de costas, no celular - Reprodução - Reprodução
30.mai.2020 - Um homem de camisa amarela (no lado direito da foto) se aproximou e agrediu o morador (de verde) pelas costas, dando início a mais uma confusão. Luiz Eduardo segue de costas, no celular
Imagem: Reprodução

Um outro homem tira a camisa e também parte para cima da testemunha, mas é contido. Os bombeiros que estavam no local não fizeram nada para interromper a confusão. A corregedoria da corporação abriu investigação interna para apurar o caso.

O PM também fala com a testemunha agredida. Nervoso, grita algo e aponta para o local onde está o carro depredado e Ticyana caída no chão. Mas é contido por Ester.

O caso está sendo investigado em sigilo pela 20ª DP (Vila Isabel). A corregedoria da PM-RJ (Polícia Militar do Rio de Janeiro) investiga a possível omissão do sargento Luiz Eduardo dos Santos Salgueiro, afastado das suas funções no Batalhão de Choque.

30.mai.2020 - Ticyana então é retirada do local com o auxílio de um bombeiro, que ajuda a caminhar - Reprodução - Reprodução
30.mai.2020 - Ticyana só é retirada do local com o auxílio de um bombeiro, que ajuda a caminhar, após a chegada da PM-RJ ao local do crime, em frente a uma festa clandestina no RJ
Imagem: Reprodução

O que dizem os envolvidos

A defesa de Rafael disse que Ticyana teria se machucado ao tentar fugir após depredar o carro. Imagens contrapõem essa versão. O advogado Roger Doyle Couto Ferreira, que representa Luiz Eduardo dos Santos Salgueiro, negou que o PM tenha presenciado as agressões ou se omitido de agir —o UOL teve acesso a fotos que mostram que o policial de folga presenciou, mas não impediu os ataques. A defesa de Ester não quis se manifestar.

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