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Conteúdo publicado há
1 mês
Criança e adolescente são feridos em ação policial com cães no Moinho

Marcelo Oliveira

Do UOL, em São Paulo

02/07/2020 20h02

Um adolescente de 18 anos e uma criança cadeirante saíram feridos em uma ação da Polícia Militar —supostamente em busca de drogas— na Favela do Moinho, em Campos Elíseos, no centro de São Paulo.

A ação ocorreu por volta das 16h e foi realizada por policiais militares do Choque, acompanhados de policiais do Canil.

Segundo policiais disseram à Comissão de Direitos Humanos da OAB, ao ver a ação policial, um jovem caiu da laje de sua casa e machucou com gravidade a mão direita e poderá perder a mobilidade da mão. Moradores, porém, questionam relatos feitos no início da noite de que ele teria pulado pelo telhado.

A irmã do jovem relata que um grupo de quatro PMs invadiu a casa em que moram na favela do Moinho. Um deles, usando touca ninja e sem a tarjeta de identificação, atacou o jovem com uma faca. Ele sofreu um corte profundo na mão direita ao tentar se defender.

O jovem —Sidney Santos de Lima, 18 anos— pulou da varanda no primeiro andar da casa e sofreu ferimentos leves nas pernas. Foi socorrido por moradores e levado para a Santa Casa, onde passou por uma cirurgia na noite desta quinta (2). Ele perdeu os movimentos na mão direita e pode ter o membro inutilizado.

Maria Cristina Góes dos Santos, 55 anos, mãe de Sidney, disse à reportagem do UOL que seu filho estava dormindo quando policiais invadiram sua residência. "Eu entrei em casa quando ouvi os gritos dele. A polícia saiu pelos fundos", relatou.

Menino mordido e protesto dos moradores

Após este primeiro ato, os PMs se dispersaram pela favela e um cão farejador mordeu o braço direito de uma criança cadeirante. O menino mordido pelo cachorro chama-se Vítor e tem 10 anos. Ele tem paralisia cerebral e por isso é cadeirante. Foi mordido justamente no braço que consegue mover melhor. Foi atendido num pronto-socorro e já está em casa.

O ferimento na criança aumentou a revolta dos moradores, que iniciaram um protesto.

Enquanto Sidney era levado por moradores ao hospital, a PM começou a atirar bombas de gás lacrimogêneo nos moradores revoltados, que ocuparam as duas pistas da Avenida Rio Branco e atearam fogo em lixo.

A PM mandou helicópteros e reforçou o policiamento e a Comissão de Direitos Humanos da OAB impediu o confronto. A manifestação terminou por volta das 19h15.

Violações de direitos

O ouvidor da PM Elizeu Soares chegou à comunidade às 19h35 e começou a ouvir moradores sobre o incidente. Ele afirmou que fez contato com o comando da PM para que a ação na comunidade fosse desmobilizada.

Soares ouviu familiares de ambas as vítimas e disse haver elementos de que houve violações de direitos. Ele pedirá informações sobre qual ação a PM desenvolvia na comunidade e pediu à Corregedoria da PM que instaure procedimento sobre os fatos.

Cotidiano