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1 mês

Mãe de Rafael Winques é indiciada por assassinato do filho e mais 2 crimes

Alexandra Dougokenski é indiciada por assassinato do filho, Rafael Mateus Winques - Reprodução/Redes sociais
Alexandra Dougokenski é indiciada por assassinato do filho, Rafael Mateus Winques Imagem: Reprodução/Redes sociais

Hygino Vasconcellos

Colaboração para o UOL, em Porto Alegre

02/07/2020 11h19

A mãe do menino Rafael Mateus Winques, de 11 anos, assassinado em 15 de maio em Planalto (RS), foi indiciada por três crimes diferentes. Alexandra Dougokenski vai responder por homicídio qualificado, ocultação de cadáver e falsidade ideológica. O inquérito foi concluído hoje e será encaminhado para o Ministério Público. Os detalhes da investigação foram repassados em coletiva de imprensa.

A mãe foi indiciada por homicídio doloso, quando há intenção de matar, e foram colocadas três qualificadoras. São elas: motivo fútil, emprego de asfixia e uso de recurso que impossibilitou a defesa. Apenas pelo homicídio, Alexandra pode fica presa por 30 anos, caso seja condenada. Como o crime foi cometido contra uma pessoa menor de 14 anos, há aumento de um terço da pena. A mãe vai responder por falsidade ideológica por ter registrado boletim de ocorrência do desaparecimento do menino com informações falsas.

Ao todo, 30 tipos diferentes de perícias foram feitos - incluindo a reconstituição do crime com a presença da mãe. Uma delas indicou a presença de diazepam - remédio para controle de ansiedade - no corpo do menino. "Mas era uma dosagem muito baixa, incapaz de produzir a morte", observa o delegado Eibert Moreira Neto. Inicialmente, a mãe afirmou que a morte teria sido provocada pelo remédio, mas no último sábado (27) acabou mudando a versão e admitiu que estrangulou o filho.

"No momento que ela nos viu ela disse que disse que tinha que alterar versão inicial. Especialmente por um motivo: disse que havia ensinado os filhos a falar a verdade, e que devia essa verdade a eles", salienta Neto.

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Os investigadores passaram a desconfiar da mãe pelo comportamento "frio" em relação ao desaparecimento do filho, que depois foi encontrado morto dentro de uma caixa de papelão em uma casa a cinco metros de distância da residência da família. Durante a reprodução simulada, os policiais não se convenceram do uso da corda para o transporte do corpo, o que levantou as suspeitas que o crime tinha sido proposital. "Ela afirma ter amarrado corda sobre os ombros, e isso não tem a menor coerência, qualquer pessoa amarraria debaixo dos braços", salienta.

"Não é normal uma mãe ou qualquer pessoa, percebendo que pessoa tivesse reação adversa, amarrasse uma corda no filho", explica o delegado, salientando que a casa da família fica a 400 metros de distância de um hospital.

Neto observa que Alexandra "oscilava entre verdade e mentira" nos depoimentos prestado à polícia. Segundo o delegado, a mãe chegou a introduzir uma memória falsa no outro filho que estava na residência, que indicava que o pai de Rafael estivesse na casa no momento do crime e que o menino teria dito "não pai, não pai, para". "(O) filho mais velho tinha certeza que ouviu gritos da criança. Como ela consegue introduzir memória falsa, sendo que a pessoa nunca tinha comentando sobre gritos?", questiona o delegado.

No depoimento de sábado, Alexandra admitiu o crime por estar descontente com o comportamento do filho, que estava descumprindo as ordens dela. "Era uma criança entrando na fase da adolescência. Para ela era algo que se tornava inconveniente", diz o delegado. Ainda segundo Neto, a mãe consultou em seu celular a composição do "Boa Noite Cinderela" (nome dado ao recurso de se usar remédio para desacordar outra pessoa sem o seu consentimento), visualizou vídeos de estupro e ainda fez compras na internet no dia do crime.

Procurada, a Defensoria Pública informou que ainda não foi possível conversar com a investigada sobre detalhes do caso, já que ela encontra-se internada em um hospital da Grande Porto Alegre para tratamento de saúde desde o dia 29. "A instituição teve acesso parcial aos autos do inquérito e aguarda laudos periciais para ter mais informações", explica o órgão em nota.

O advogado Jean Severo, que também defendeu um dos condenados pelo caso Bernardo, deixou a defesa no último sábado, mas disse ao UOL que vai hoje se reunir com os defensores públicos para apresentar materiais que "modifica todo o inquérito", sem dar detalhes.

"Ela foi coagida a mudar a versão na delegacia. Tivemos vários problemas na delegacia e optamos por abandonar o processo e ela quis a Defensoria Pública. Mas hoje terá desdobramentos. É evidente que não vamos apontar culpados, não trabalhamos assim. Se for comprovado o que tem ali, ela tem que ser solta e outras pessoas presas", disse Severo.

Procurado pelo UOL, o delegado Eibert Neto nega coação. "Não é a forma que a gente trabalha. Na verdade, ela se sentiu coagida por ele, no momento que manifestou interesse de mudar a versão. Tanto que não coagimos que, ao final do depoimento, ela destituiu esse advogado e pediu para ser acompanhada pela Defensoria Pública."

Ainda segundo o delegado, um representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RS) acompanhou o depoimento, já que Severo alegou que estava sendo negado o direito de ter acesso a cliente.

Cotidiano