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Bares vazios marcam primeiro dia de reabertura em SP

Talyta Vespa

Do UOL, em São Paulo

06/07/2020 18h29

Cervejas e salgados costumavam atrair gente nos bares que permeiam a estação de metrô Santa Cecília, no centro de São Paulo, logo cedo. Em segundas-feiras quentes que antecederam a pandemia do novo coronavírus, as mesas de plástico na calçada eram preenchidas antes das sete da noite. Nesta segunda (6), primeiro dia de reabertura em São Paulo, entretanto, nem 10 pessoas bebericavam por ali no fim do dia.

Sentado em um caixote em frente a um dos bares que atendem quem passa pelo Largo de Santa Cecília, um funcionário, que prefere não se identificar, conta ao UOL que, como o decreto não permite mesas na calçada, os donos têm disponibilizado caixas para que as pessoas apoiem seus drinques. "São 17h10, nossa, preciso colocar as mesas aqui em frente para ninguém mais entrar", diz.

"Hoje foi o primeiro dia, mas a gente não é restaurante, não serve almoço, então de nada adianta poder abrir das 11h às 17h. Você já veio aqui? Isso aqui lota de noite... Agora, nada. Quase não teve movimento hoje e, enquanto a gente não puder colocar as mesas na calçada nem abrir até mais tarde, [o espaço] vai continuar às moscas".

A mesma cena foi observada nos entornos do terminal Bandeira, também no centro de São Paulo. Poucos bares permaneciam abertos depois das 17h e, nesses poucos, havia quase nenhum movimento. O gerente de um dos estabelecimentos da rede Jhonys —são cinco na Vila Buarque—, confirma a baixa adesão dos clientes: dos cinco, apenas um deles abriu, por ter um salão maior e conseguir respeitar os limites de distanciamento.

"Os outros quatro funcionam com as mesas na calçada, que estão proibidas. Então, só essa unidade abriu. Ainda assim, deu para contar na mão o número de clientes que apareceram aqui hoje. As pessoas ainda estão com medo, sabia? Elas param aqui em frente, olham, olham e vão embora. Vai demorar para as coisas se ajeitarem", diz.

Bairro boêmio de SP às moscas

Conhecido pela boemia de segunda a segunda, o bairro da Vila Madalena, na zona oeste da capital, estava às moscas nesta tarde. Grandes e tradicionais bares foram encontrados às portas fechadas no primeiro dia de reabertura em São Paulo.

Entre os poucos abertos, o Bar Pasquim recebeu a reportagem a duas horas do fechamento obrigatório segundo o decreto que permitiu a reabertura. Os bares devem ficar abertos por seis horas, até as 17h, no máximo. O gerente do Pasquim, Flávio Matias, explica que exatamente o curto período permitido fez com que os colegas do bairro decidissem abrir seus estabelecimentos só no fim da semana.

"Muitos bares vizinhos preferiram deixar para reabrir no fim da semana, a partir de quinta-feira, porque o movimento aos dias de semana acontece durante a noite, e a gente não pode ficar aberto após as 17h", afirma.

Ao entrar no estabelecimento, um funcionário mede a temperatura dos clientes. A distância entre as mesas é superior a dois metros e, em cada uma delas, há um frasco de álcool em gel. Segundo Matias, todas as medidas de segurança foram estudadas desde o primeiro dia de quarentena.

No canto de cada mesa, existe um QR Code, para que os clientes acessem o cardápio do celular se não se sentirem à vontade para manusear o menu físico. A cada cliente, o gerente explica, o cardápio é higienizado, assim como as mesas e cadeiras. "Nós, funcionários, higienizamos as mãos e passamos álcool em gel a cada meia hora. Minha mão está até branca", ri.

Lotação de acordo com o número de cadeiras

Aos fins de semana, o Pasquim costuma receber mais de mil pessoas por dia. A lotação é vista de fora, onde pessoas costumavam se aglomerar mesmo na ausência de cadeiras disponíveis. Matias explica que, nesse primeiro fim de semana de reabertura, vai ser diferente: não será permitida a circulação de pessoas dentro nem fora do bar, e a lotação vai ser de acordo com o número de cadeiras disponíveis.

"A gente decidiu reabrir porque sabe que tem gente querendo vir aos bares. As contas continuam chegando, não dá para esperar. Mas é complicado, mesmo, pelo fato de a gente não poder ficar aberto à noite. Espero que, em breve, o decreto estenda o horário até as 22h, pelo menos".

Veja, a seguir, as adequações que bares e restaurantes precisarão fazer para voltar a funcionar:

Horário de funcionamento

Seis horas diárias, com fechamento no máximo até as 17h no horário de Brasília. Clientes limitados a 40% da capacidade e com uso obrigatório de máscaras

Distanciamento social

As normas estaduais recomendam reservas de assentos, para evitar aglomerações. As mesas não poderão ser ocupadas por mais de seis pessoas, com distanciamento de pelo menos dois metros entre elas. Estabelecimentos do tipo self-service devem designar funcionários para servir os clientes, mantendo o máximo de distanciamento possível.

Higiene

O governo do estado recomenda que temperos e condimentos sejam disponibilizados em sachês ou em porções individualizadas diretamente da cozinha para cada cliente. O restaurante é aconselhado a disponibilizar talheres descartáveis ou devidamente embrulhados aos clientes, como alternativa aos convencionais. Funcionários devem higienizar as mesas e cadeiras após cada uso e troca de cliente. Também deve disponibilizar álcool em gel

Filas

O decreto recomenda marcação no piso para filas e evitar aglomeração

Cuidado com funcionários

Funcionários devem ter a temperatura checada diariamente e os que apresentarem sintomas de gripe precisarão ser testados antes de voltar ao trabalho

Coronavírus