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15 dias

Idosa que xingou estudante de 'chinesa porca' no RJ é indiciada por racismo

Idosa que xingou estudante de "chinesa porca" no metrô do RJ é indiciada por racismo - Marcelo Fonseca/Estadão Conteúdo
Idosa que xingou estudante de 'chinesa porca' no metrô do RJ é indiciada por racismo Imagem: Marcelo Fonseca/Estadão Conteúdo

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio de Janeiro

15/07/2020 23h16

A idosa M.T.S., de 75 anos, que chamou a estudante Marie Okabayashi, que é descendente de japoneses, de "chinesa porca", no metrô do Rio, foi indiciada pelos crimes de racismo e injúria por preconceito.

O caso ocorreu no mês de janeiro, quando já haviam sido divulgadas informações sobre a rápida propagação do novo coronavírus, com registros, na ocasião, nos Estados Unidos, Taiwan, Tailândia, Japão, Coreia do Sul e Macau, além da China, onde começou a pandemia.

O inquérito foi concluído hoje pela Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) e encaminhado ao Ministério Público. As penas previstas para cada um dos crimes variam de um a três anos de prisão, além do pagamento de multa.

As ofensas foram gravadas pela estudante e as imagens ajudaram a polícia a identificar a idosa, que tem outras duas acusações por injúria de preconceito.

Segundo a polícia, a jovem, que embarcou no metrô na estação Siqueira Campos, no bairro de Copacabana, na zona sul do Rio, foi chamada no interior do vagão de "chinesa porca", de "nojenta" e acusada de "transmitir doença para todo mundo".

O caso foi registrado na delegacia três dias depois do episódio.

Segundo o delegado, Gilbert Stivanello, titular da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), a mulher foi ouvida na delegacia acompanhada do advogado. Ela alegou em depoimento que o vídeo foi editado e tirado de contexto.

"Ela disse que estava dialogando com as pessoas no metrô, o que não se confirma pelas imagens. As imagens passam a impressão que as pessoas estavam desconfortáveis com as falas dela. Ela falava e todo mundo olhava reto, não há impressão de diálogo. Como as imagens são em trechos, ela diz que [o conteúdo] foi editado, que está fora de contexto. Ela diz que a conversa era sobre uma pastelaria que havia sido fechada pela vigilância sanitária, mas admite a fala que chineses são porcos (...) Ela tenta justificar [as falas] em torno deste contexto", revelou o delegado ao UOL.

Na ocasião das agressões, Okabayashi divulgou na internet o ocorrido e revelou outras frases racistas dita pela passageira. O conteúdo postado nas redes sociais viralizou na internet.

"Quando eu vejo um chinês eu atravesso a rua. (...) Não compraria uma coca fechada desse povo, porque eles contaminam tudo. (...) Os coreanos, tailandeses e esse resto também são um horror, invadem nosso país, roubam os empregos do nosso povo, espalham doenças", disse a idosa nas imagens registradas.

Dentre as ofensas, a mulher diz também que "os negros não são sujos, pois foram escravizados".

A reportagem ainda não conseguiu localizar a defesa de M.T.S. para comentar o assunto.

Cotidiano