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Cozinheira morta na casa dos patrões pode ter sido estuprada, aponta laudo

Gilmara da Silva, 45, pode ter sido estuprada antes de morrer - Reprodução/Facebook
Gilmara da Silva, 45, pode ter sido estuprada antes de morrer Imagem: Reprodução/Facebook

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio

04/08/2020 13h17Atualizada em 04/08/2020 13h55

A Delegacia de Homicídios do Rio apura se a cozinheira Gilmara de Almeida da Silva, 45, foi abusada sexualmente antes de morrer em decorrência de asfixia mecânica na casa dos patrões, na semana passada, no Rio de Janeiro.

A Polícia Civil informou na manhã de hoje que o suspeito pela morte foi preso. Um mandado de prisão temporária foi cumprido contra o homem, cuja identidade não foi divulgada pela DH. No entanto, a família da vítima disse ao UOL que o homem detido é um profissional que também trabalhava na casa. Uma das filhas da vítima diz que ele era cuidador, e a outra, que ele era enfermeiro. A polícia não divulga qual é a verdadeira profissão do homem.

A informação sobre possibilidade de violência sexual está no relatório do IML (Instituto Médico Legal) e, segundo a delegada responsável pelas investigações, Bianca Gebara, somente perícias técnicas vão comprovar o ato.

"A equipe de plantão foi ao local para colher o máximo de vestígios possíveis, foi colhido sêmen, material genético para futuro confronto (...) Há vestígios de uma relação sexual recente, mas nada ainda comprovado. Só perícias técnicas vão poder afirmar isso", disse a delegada.

O laudo do IML ainda confirma as lesões nas pernas e nos braços da vítima. Segundo a família, Gilmara também apresentava sangramento no nariz e no ouvido.

O caso ocorreu no último dia 30, na casa onde a funcionária trabalhava como cozinheira e empregada doméstica no bairro da Freguesia, na zona oeste do Rio.

A motivação do crime ainda não foi esclarecida. "Um possível desentendimento entre eles. Não podemos divulgar isso ainda, foi desentendimento em uma relação de trabalho", disse a delegada.

Divergências com cuidador

Gilmara foi encontrada caída na lavanderia da residência e socorrida pelos dois filhos dos patrões e pelo cuidador. Ela foi levada ao Hospital Cardoso Fontes, onde chegou sem pulsação. A equipe médica tentou manobras de ressuscitação, mas sem sucesso.

Michelle da Silva, filha da cozinheira, relatou que a equipe médica informou à família que a morte não foi natural nem ocasionada por queda. No hospital, Michelle soube que a mãe havia falecido em decorrência de asfixia mecânica.

À polícia, Michelle relatou os desentendimentos entre a mãe e o cuidador. O profissional, identificado apenas como Claudio, começou a trabalhar no imóvel há dois meses. Ele foi contratado para cuidar do casal de idosos donos do imóvel. O homem sofria de depressão e a mulher fazia tratamento para feridas nas pernas.

De acordo com a filha da vítima, a mãe considerava o funcionário uma pessoa difícil. "Todo dia, a minha mãe reclamava desse homem para mim. (...) Ele anotava até o horário de entrada e saída da minha mãe no trabalho. Parecia que ele queria que ela fosse demitida", disse Michelle.

A família de Gilmara diz que o celular dela, apreendido pela polícia, estava sujo de terra. Na cena do crime, os agentes precisaram usar luminol, substância química capaz de detectar vestígios de sangue.

"O delegado me disse que achou muito sangue na varanda com o auxílio do luminol", disse Milena de Almeida, 20, a outra filha da cozinheira.

Outros envolvidos

Milena afirmou que desconfia de envolvimento de outras pessoas no crime.

"A gente desconfia que tem mais gente envolvida. Não tivemos apoio nenhum [da família dos patrões]. Minha mãe morreu, eles não arcaram com nada. Minha mãe foi violentada dentro daquela casa, foi assassinada dentro daquela casa e em momento algum eles vieram para entender ou tentar consolar. Em todos os momentos eles ficaram do lado do Cláudio. Acho que se não estão envolvidos, eles não deveriam estar do lado dele e sim do nosso lado, porque a nossa mãe foi assassinada dentro da casa deles".

Milena enfatizou ainda contradições do relato dos donos do imóvel sobre o caso.

"Eles ligaram para o meu pai falando que minha mãe passou mal. Foi encontrada caída no chão, mas chegando no hospital, a médica que atendeu minha mãe viu que ela estava com marca de agressão, estrangulamento, sangue e hematomas no braço. Eu vi minha mãe, sei como ela estava. A médica mandou segurar eles, o filho da patroa e o enfermeiro. A filha saiu correndo para voltar para a casa. Não mencionaram lesões. Minha mãe apanhou antes, foi estuprada, impossível ninguém ter escutado nada".

De acordo ainda com Milena, a cozinheira e a patroa dela tinham um bom relacionamento. A filha disse que a dona da casa fazia queixas do enfermeiro aos filhos e queria que o profissional fosse substituído.

"A Lourdes [patroa de Gilmara] queria mudar o enfermeiro, ele machucava ela. Era bruto. Ela mandava mensagem falando isso e os filhos não estavam nem aí. Eles nem quiseram saber por que ela queria mudar".

O UOL não conseguiu localizar os patrões de Gilmara nem a defesa do cuidador.

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