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Tráfico do Rio recebia R$ 10 mil por aluguel de armas, diz polícia

Herculano Barreto Filho

Do UOL, no Rio

16/08/2020 12h56

Resumo da notícia

  • Valor é o equivalente a 20% do dinheiro obtido com o assalto
  • Quadrilha contou com o apoio de ex-PM de Minas Gerais
  • Bandido fingiu ter deficiência para entrar armado sem passar por detector, mostra vídeo

Uma facção criminosa ligada ao tráfico de drogas do Rio recebia cerca de R$ 10 mil pelo aluguel de armas usadas por uma quadrilha para assaltar uma agência bancária em Juiz de Fora (MG), diz a Polícia Civil. O valor é o equivalente a cerca de 20% do roubo, que ocorreu por volta das 12h30 de sexta-feira (14). Os criminosos, que contaram com o apoio de um ex-PM de Minas Gerais, foram presos na madrugada de ontem.

Um vídeo obtido pelo UOL mostra a ação do grupo. Um dos criminosos simulou ter uma deficiência física para entrar por porta lateral sem passar pelo detector de metais. Ele então entregou uma arma para um comparsa, que já estava no interior do banco e anunciou o assalto, rendendo o segurança. Em seguida, outros dois comparsas entram com malas, onde carregariam o dinheiro roubado.

Quadrilha rouba banco com armas do tráfico do Rio

Esse tipo de crime é cometido em parceria entre as quadrilhas e o tráfico de drogas. Os bandidos não têm dinheiro para adquirir o armamento. Então, os traficantes investem na logística, oferecendo as armas, e ganham 20% do valor do roubo

Marcus Amin, delegado da Desarme (Delegacia Especializada em Armas Munições e Explosivos)

Segundo a Polícia Civil, as armas foram cedidas por traficantes do Complexo da Maré, conjunto de favelas na zona norte do Rio. Após cometer os crimes, a quadrilha fugia para o reduto do tráfico para dividir os bens arrecadados na ação. "É o local onde os criminosos conseguem fazer a distribuição do material roubado com tranquilidade", explica o delegado Marcus Amin.

O grupo, especializado em assaltos a bancos e a carros-fortes, foi preso em flagrante em uma ação conjunta entre a Polícia Civil do Rio e de Minas Gerais horas depois do crime em uma casa de classe média alta de Juiz de Fora (MG), que pertence ao ex-PM Irlan Moreira Rios, também detido na ação. Irlan tinha antecedentes criminais por roubo e furto.

A quadrilha, que agia desde a década de 1990, é chefiada por Marcelo Ferreira Campos Oliveira, de 50 anos, conhecido como MacGyver, em alusão ao protagonista da série de TV norte-americana 'Profissão: Perigo'. Ele tinha dez mandados de prisão por assaltos a bancos e carros-fortes, homicídio e receptação.

Braço-direito do bando, Marcelo Vilas Boas Araújo Santana, o Metralha, também de 50 anos, era procurado pelos crimes de roubo, associação criminosa e receptação. Julio Cesar Silva das Dores, 43, e Marcelo Roberto da Silva Rodrigues, 41, também foram presos.

Parceria em roubos milionários

Esse tipo de parceria entre as quadrilhas e o tráfico de drogas se intensificou nos últimos anos, diz a Polícia Civil. Os grupos também participam de assaltos de grandes proporções, como centros de distribuição de redes de supermercado, em crimes que rendem até R$ 10 milhões.

Segundo a Desarme, existem ao menos quatro quadrilhas do tipo em atividade no Complexo da Maré.

"Essas ações são muito rentáveis, porque os traficantes já possuem o armamento. Isso se tornou uma atividade complementar ao tráfico de drogas", explicou o delegado Marcus Amin.

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