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Empresário é suspeito de agredir vizinho em condomínio onde mora Crivella

Condomínio Península, na Barra da Tijuca, foi local de suposta agressão de empresário ao vizinho médico - Divulgação/Facebook
Condomínio Península, na Barra da Tijuca, foi local de suposta agressão de empresário ao vizinho médico Imagem: Divulgação/Facebook

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio

19/08/2020 11h45

A Polícia Civil do Rio investiga o empresário Fernando Trabach Filho, 27, suspeito de agredir um vizinho que teria reclamado de uma festa que ocorria com som alto e aglomeração de diversos convidados que circulavam sem máscara no condomínio Península, na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio, o mesmo onde mora o prefeito do Rio, Marcelo Crivella (Republicanos). A vítima foi um médico de 41 anos, e o caso ocorreu em 20 de junho.

Desde a realização do registro de ocorrência, o empresário suspeito das agressões já foi intimado para depor duas vezes e não compareceu. Uma terceira oitiva foi marcada para esta sexta-feira (21), mas de acordo com a Delegacia da Barra da Tijuca, responsável pelo caso, não há garantias de que o empresário irá aparecer.

"O caso está em andamento, o autor foi intimado para depor nesta sexta-feira. Trata-se da terceira intimação. Infelizmente, ele não pode ser trazido para prestar depoimento coercitivamente devido a proibição do STF (Supremo Tribunal Federal)", explicou o delegado Giniton Lages em entrevista ao UOL.

De acordo com o registro de ocorrência, o médico foi até o apartamento do empresário avisar que a música estava muito alta e foi agredido com um soco. A PM foi acionada e o empresário se recusou, em um primeiro momento, a ir até a delegacia. Ele alegou não haver mandado judicial para que os policiais o conduzissem. Após ser comunicado que o mandado não era necessário devido ao flagrante, o empresário concordou em acompanhar os PMs. No entanto, no caminho até a 16º DP, retornou para casa dizendo que havia esquecido os documentos e não apareceu.

Um dos PMs acionados para a ocorrência relatou ainda ameaças por parte do empresário que teria dito a ele "você não sabe com quem está falando", "está comprando o barulho com a pessoa errada".

"Eu sou milionário, faço o quero"

Em entrevista ao UOL, o morador do condomínio conta que as festas começaram no apartamento do vizinho desde que ele se mudou para o endereço, em maio. Há quatro meses, o empresário é multado em 50% do valor do condomínio pela realização de festas na residência em meio a pandemia, com som alto até tarde. Ao reclamar do barulho e explicar o momento de pandemia, o médico foi agredido com um soco.

"Eu sou médico há quase 20 anos, desde então nunca vi uma ameaça de saúde pública tão grande como essa pandemia. Eu vejo pessoas mais jovens falecerem, enfermeiros e colegas de faculdade serem internados, você chega em casa emocionalmente debilitado depois de passar vários dias vendo isso e chegar em casa ouvir festa todo fim de semana e a pessoa não está nem aí. Depois que ele foi notificado, eu tentei conversar com ele, pedi a um funcionário do prédio para me acompanhar e ele me recebeu falando obscenidades da minha mulher e da minha mãe, ele me deu um soco, quebrou meu óculos, abriu meu supercílio, precisei ir para o hospital suturar, mas antes chamei a polícia".

De acordo ainda com o médico, o empresário manteve a postura agressiva também com os policiais.

Eu sou milionário, faço o quero. A lei não vale para mim. Seus dois guardinhas amanhã estarão na rua. Eu paguei a polícia. A polícia é minha", são algumas das frases que o empresário disse aos PMs. O síndico do prédio também foi insultado: "você é um velho de m*, vaza daqui"

De acordo com documento de notificação emitido para o empresário, inquilino do imóvel, o apartamento pertence ao jogar de futebol Dario Conca do Fluminense. O jogador ainda não foi localizado pelo UOL para comentar o caso.

"Ele já foi notificado e até o momento não tomou nenhum providência", disse o médico que mora no mesmo condomínio que o prefeito do Rio, Marcelo Crivella.

"Eu divido a parede com um indivíduo desse. O prefeito mora a dois prédios de mim e nem assim consigo segurança e justiça. Se é assim comigo, o que será de quem mora no subúrbio do Rio?", lamentou a vítima.

Questionado se permanecerá no apartamento, o médico disse que demorou dez anos para conseguir comprar o imóvel e que até o momento não tem planos de sair do prédio. "Adoro esse local, quero crer que a justiça pode ser feita para que possa ter paz de espírito novamente".

O UOL ainda não localizou a defesa do empresário suspeito de agressão.

Prisão e processos na Justiça

Fernando Trabach Filho chegou a ser preso duas vezes em 2017. No Tribunal de Justiça do Rio, ele é réu em pelo menos cinco processos. Em dois deles, o empresário é acusado de organização criminosa, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.

O empresário também foi denunciado por dar golpes no setor imobiliário na cidade de Resende. Fernando e o pai fechavam negócios através da venda de imóveis, arrecadavam dinheiro e nunca entregavam os empreendimentos prometidos.

Médica foi agredida após reclamar de festa

A Polícia Civil do Rio indiciou em julho 14 pessoas acusadas de agredir uma médica no bairro do Grajaú, na zona norte do Rio, após ela também reclamar de uma festa que ocorria em uma casa vizinha em meio a pandemia de coronavírus.

O grupo vai responder por infração sanitária preventiva, cuja pena pode chegar a um ano de prisão. Outras cinco pessoas foram indiciadas por lesão corporal. O caso envolvendo a médica Tyciana Azambuja ocorreu no dia 30 de maio. A vítima teve duas fraturas do joelho esquerdo.

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