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Igrejas de Flordelis fecham após assassinato: "Ela perdeu credibilidade"

Flordelis é investigada por planejar a morte do marido, segundo a Polícia Civil do Rio. Ela foi denunciada em 24 de agosto - Cleia Viana/Câmara dos Deputados
Flordelis é investigada por planejar a morte do marido, segundo a Polícia Civil do Rio. Ela foi denunciada em 24 de agosto Imagem: Cleia Viana/Câmara dos Deputados

Herculano Barreto Filho e Hanrrikson de Andrade

Do UOL, no Rio e em Brasília

06/09/2020 10h16

Resumo da notícia

  • Igreja, que já teve 5 mil membros, hoje conta com apenas 200 fiéis
  • Cinco das sete igrejas foram fechadas, segundo ex-membros
  • Flordelis só não foi presa por crime por ter imunidade parlamentar

Cinco das sete igrejas do Ministério Flordelis, comunidade evangélica que leva o nome da deputada federal denunciada sob acusação de planejar o assassinato do marido, o pastor Anderson do Carmo, fecharam as portas após o crime. A igreja, que já teve até 5.000 membros, hoje conta com apenas 200 fiéis, segundo apurou o UOL. Eles integram o "núcleo duro" de seguidores da líder religiosa.

Apenas dois templos seguem em atividade: um culto ministrado na última quinta-feira (3) na sede, no bairro do Mutondo, em São Gonçalo (RJ), contou com a participação de apenas 30 pessoas, segundo reportagem do jornal "Extra" —o local chegou a receber mais de mil pessoas.

Flordelis só não foi presa por suspeita de envolvimento no crime porque tem imunidade parlamentar pelo cargo que ocupa. Ela nega qualquer participação no crime.

A única filial da igreja fica localizada no bairro Piratininga, em Niterói (RJ). No meio religioso, há comentários de que a debandada acentuada de fiéis faz com que o fim da instituição seja "questão de tempo".

O comportamento da Flordelis após a morte do pastor Anderson fez com que ela perdesse a credibilidade. Então, as pessoas começaram a se desligar. Os fiéis deixaram de acreditar nela. Na mesma semana do crime, cerca de 400 fiéis se desligaram

Ex-membro da igreja, que não se identificou por temer represálias

Junto com o marido, Flordelis dos Santos (PSD-RJ) administrava uma rede de igrejas que vinha crescendo nos últimos anos. Havia ainda a construção de uma nova matriz, projeto que era acompanhado de perto por Anderson antes de sua morte, em junho de 2019.

As lideranças da comunidade evangélica ainda tentam manter os laços com os fiéis e realizam cultos para dezenas de pessoas, segundo revelou o "Extra".

Uma das estratégias adotadas com o objetivo de manter as igrejas em funcionamento foi uma mudança de nome: em vez de Ministério Flordelis, a instituição passou a se chamar Cidade do Fogo. Mesmo assim, o número de fiéis que estão deixando a comunidade é crescente.

Notificação da Câmara

A deputada federal pelo PSD do Rio deve ser notificada na próxima terça-feira (8) pela Corregedoria da Câmara sobre o processo de investigação na Casa que pode culminar na cassação de seu mandato. Ela terá, a partir de então, cinco dias para entregar a sua defesa escrita, conforme permite o regimento interno. O prazo é prorrogável pelo mesmo período, totalizando até dez dias.

"Conforme regimento, ela tem cinco dias para apresentar a defesa e utilizaremos dessa prerrogativa", informou a assessoria da deputada à reportagem.

A notificação na terça em Brasília foi acertada entre a equipe de Flordelis e a Corregedoria da Câmara, após duas tentativas sem sucesso - no gabinete e no apartamento funcional. A previsão inicial era de que a terceira tentativa de notificação fosse hoje na residência da deputada no Rio de Janeiro, mas, após ela se comprometer a receber o aviso na terça, acabou sendo adiada.

A notificação já em Brasília também gera menos custos para a Câmara, pois teria que deslocar um funcionário ao Rio apenas para a atividade, informou o corregedor da Casa, deputado Paulo Bengtson (PTB-PA).

Denunciada por homicídio

Flordelis foi denunciada por suspeita de ser mandante da morte do marido, o pastor Anderson do Carmo. Cinco de seus filhos, além de sua neta, foram presos no último dia 24, em operação coordenada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro e pela Polícia Civil.

Por ter imunidade parlamentar, a deputada não pode ser presa — a não ser em flagrante de crime inafiançável. Ao todo, 11 pessoas foram denunciadas pelo crime.

Se Flordelis não for encontrada novamente, um comunicado sobre o processo será publicado no Diário Oficial da União. A Corregedoria já trabalha em cima do processo, com cerca de 8 mil páginas, para a emissão de um parecer.

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