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Conteúdo publicado há
2 meses
SP: Guardas municipais agridem homem no chão na cracolândia; veja vídeo

Felipe Munhoz

Colaboração para o UOL, em Lençóis (BA)

25/09/2020 20h15

Guardas municipais foram flagrados ontem (24) agredindo um rapaz no chão durante uma operação policial na região conhecida como cracolândia, no centro de São Paulo.

No vídeo, é possível ver quando quatro oficiais da GCM (Guarda Civil Municipal) chutam um rapaz que está caído no chão, aparentemente desarmado. Os guardas dão chutes nas costelas e na cabeça, empurram o rosto do homem contra o chão e um deles acerta com a arma no rosto do rapaz.

A reportagem do UOL solicitou à Secretaria Municipal de Segurança Urbana uma entrevista com o secretário ou o responsável pela operação. Como resposta, a secretaria enviou uma nota, na qual afirma que um processo interno foi aberto para apurar a violência dos agentes que foram afastados.

"A secretaria não compactua e repudia veementemente os atos registrados pelo vídeo amador e informa que os agentes flagrados cometendo inaceitável violência foram imediatamente afastados do serviço operacional. Um processo interno para apuração dos fatos foi aberto assim que o Comando da GCM tomou conhecimento da ocorrência e, após a conclusão, será encaminhado para a Corregedoria da corporação", diz a nota.

Ação política e ineficaz, diz psiquiatra

Um conflito entre usuários de drogas e agentes da Guarda Civil Metropolitana e policiais militares causou correria e confusão na cracolândia, ontem (24). De acordo com a Polícia Militar, o conflito foi causado porque um traficante que iria abastecer com drogas o local foi preso na manhã de quarta, informou a Folha.

O psiquiatra Flávio Falcone, do movimento Craco Resiste, afirmou que a ação foi violenta e ineficaz, pois não atinge os traficantes, mas, sim, os usuários, e não resolve o problema.

De acordo com Falcone, a operação começou no fim da tarde de ontem e foi até a madrugada de hoje. Segundo ele, o vídeo filmado aconteceu na esquina da rua Helvétia com a Alameda Dino Bueno.

"A ação toda foi bem violenta, com bombas e balas de borracha. Temos a impressão de que, a partir de uma matéria veiculada pela Record no dia 3 de setembro [na qual moradores de um condomínio reclamam da insegurança na região], passou a ter operação quase todos os dias", disse o psiquiatra.

Na opinião de Falcone, a proximidade com as eleições também tem influenciado para que as operações policiais na região aconteçam com maior frequência. "Estas ações têm sido usadas como forma de palanque político. Por mais que prendam pessoas ali, eles não atingem os traficantes. Na verdade, estão prendendo funcionários do tráfico, que, no fundo, são os próprios usuários. Quando prendem um, tem outros dez querendo ocupar aquela vaga", afirmou o psiquiatra que, além do trabalho junto aos usuários, participa de ações organizadas pelo padre Júlio Lancellotti.

"Toda esta área está repleta de câmeras. Se você pegar as imagens destas operações, todas têm violações de direitos humanos. Desta vez, conseguiram filmar. Mas eu já vi esta cena inúmeras vezes e atinge pessoas que não são perigosas", completou.

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