PUBLICIDADE
Topo

Cotidiano

Conteúdo publicado há
7 meses

Atendente de pizzaria acusa Frederick Wassef de chamá-la de 'macaca'

Atendente de pizzaria registrou boletim de ocorrência contra o advogado Frederick Wassef - Daniel Marenco/Agência Globo
Atendente de pizzaria registrou boletim de ocorrência contra o advogado Frederick Wassef Imagem: Daniel Marenco/Agência Globo

Stella Borges

Do UOL, em São Paulo

12/11/2020 10h19Atualizada em 12/11/2020 19h12

O advogado Frederick Wassef, que já atuou para o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e um de seus filhos, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), foi acusado de injúria racial por uma atendente de uma pizzaria em Brasília (DF). Ela registrou um boletim de ocorrência ontem na 1ª Delegacia de Polícia.

Segundo o registro policial, o caso aconteceu no último domingo (8), por volta das 21h, no Shopping Pier 21.

A vítima relatou à polícia que, ao ir embora, Wassef a encontrou no caixa e começou a reclamar. "Essa pizza não tá boa. Você comeu?". Ela respondeu que não e ele retrucou dizendo, em voz alta:

Você é uma macaca! Você come o que te derem
Frederick Wassef, segundo denúncia de atendente de pizzaria em Brasília

Agressões verbais anteriores

A atendente disse à polícia que o advogado é cliente frequente do estabelecimento, "porém é conhecido por se tratar de uma pessoa arrogante e que destrata e ofende os funcionários".

Ela relatou ainda que esta não foi a primeira vez que ele a agrediu verbalmente. Ela relembrou em seu depoimento que, em outubro, ao atender o advogado, ele pegou no seu braço e a puxou até o balcão.

"A vítima então, com o intuito de explicar os tamanhos das pizzas, lhe mostrou as caixas vazias como mostruário. Neste momento, o homem jogou a caixa ao chão e disse para ela pegar. Disse a vítima que ficou constrangida e se sentindo muito humilhada, mas pegou a caixa e se retirou", diz trecho do boletim de ocorrência.

Procurado pelo UOL, Wassef afirmou que não chamou ninguém de macaco e se disse "vítima de uma farsa e armação montada". (Veja a íntegra abaixo).

Racismo x injúria racial

A Lei de Racismo, de 1989, engloba "os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional". O crime ocorre quando há uma discriminação generalizada contra um coletivo de pessoas. Exemplo disso seria impedir um grupo de acessar um local em decorrência da sua raça, etnia ou religião.

O autor de crime de racismo pode ter uma punição de 1 a 5 anos de prisão. Trata-se de crime inafiançável e não prescreve. Ou seja: no caso de quem está sendo julgado, não é possível pagar fiança; para a vítima, não há prazo para denunciar.

Já a injúria racial consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião ou origem a fim de atacar a dignidade de alguém de forma individual. Um exemplo de injúria racial é xingar um negro de forma pejorativa utilizando uma palavra relacionada à raça. A pena prevista para injuria racial é o pagamento de multa ou de 1 a 3 anos de detenção.

Outro lado

Leia abaixo a íntegra da nota enviada por Frederick Wassef:

"Tudo o que foi dito pela funcionaria do pizza hut são mentiras e calúnias contra minha pessoa. Sou vítima de uma farsa e armação montada. Sou vítima de denunciação caluniosa que foi organizada sob orientação de terceiros visando futura ação indenizatória para ganhar dinheiro através desta fraude arquitetada. Não chamei ninguém de macaco. A funcionária não é negra e mentiu afirmando que eu a chamei de negra e por isto não queria ser atendido por ela. Foi fazer um boletim de ocorrência 3 dias após o fato narrado e levou fotógrafo para tirar sua foto na delegacia fazendo o B.O e divulgou para a imprensa imediatamente. Existem seguranças na porta do pizza hut e também a poucos metros ao lado da pizzaria, que ali ficam permanentemente para fazer o protocolo de covid-19 na entrada do shopping. Se fosse verdade o que a funcionaria afirmou falsamente, teriam me prendido em flagrante e filmado com celulares. Outra mentira e que outros funcionários teriam testemunhado o narrado por ela. Ela estava sozinha no caixa e ninguém estava perto. Apenas parei no caixa para pagar a conta e fui embora. Vou comunicar a policia deste crime de denunciação caluniosa do qual fui vítima".

Cotidiano