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Acusado de atropelar ciclista pede perdão e diz que não tinha noção do fato

O microempresário José Maria, indiciado por atropelar e matar a ciclista Marina Harkot em São Paulo - Reprodução/TV Globo
O microempresário José Maria, indiciado por atropelar e matar a ciclista Marina Harkot em São Paulo Imagem: Reprodução/TV Globo

Do UOL, em São Paulo

16/11/2020 07h23

O microempresário José Maria da Costa Júnior, indiciado por homicídio culposo por atropelar e matar a ciclista Marina Kohler Harkot e fugir sem prestar socorro no último domingo (8), em São Paulo, disse que não tinha noção do que pudesse ter acontecido e pediu perdão à família dela.

Em entrevista ao Fantástico, da TV Globo, Júnior contou que naquele dia trabalhou e encontrou com amigos em um bar, mas nega ter ingerido bebidas alcoólicas. No momento do acidente, ele estava com outras pessoas no carro.

Questionado se em nenhum momento ele e as pessoas que o acompanhavam pensaram em parar e ver o que tinha acontecido, ele respondeu que não e falou em "preservar" sua vida.

"A gente não tinha essa noção do que pudesse ter acontecido, da complexidade, que alguém pudesse estar ali, que pudesse estar machucado, se era um roubo, se era alguma coisa", afirmou.

Sobre a dinâmica do acidente, ele relembrou: "Eu cheguei em uma saída de água. Reduzi o carro para poder passar, o carro de trás buzinou, eu acelerei e acabei ficando na dúvida se podia cruzar para o outro lado ou não. E vi essa coisa na minha frente".

Segundo ele, como havia outras pessoas na rua, ele assumiu que alguém pudesse ter mais condições de prestar socorro. "Como tinha mais gente lá, que tivesse até mais condições de poder socorrer, eu entreguei que as pessoas pudessem socorrer essa pessoa", explicou.

'Com certeza ele viu a Marina'

Uma policial militar que estava de folga e passava pelo local prestou socorro a Marina. Segundo Mariana Braga, a ciclista provavelmente bateu a cabeça no vidro do carro e depois na mureta lateral.

"Era uma via super iluminada, com certeza ele viu a Marina. Não tinha como não ver a Marina", disse a PM à emissora.

O Fantástico exibiu uma imagem do carro de José Maria trafegando a 90 km/h em uma via depois do atropelamento, segundo a polícia.

Segundo Rosangela Ferreira, dona do estacionamento onde ele deixou o carro após o acidente, o homem não aparentava estar nervoso e disse que o grupo tinha um litro de vinho dentro do carro — algo que Júnior nega. "Essa garrafa não estava dentro do carro".

Sobre as gravações de câmeras de segurança que o mostram sorrindo logo após o acidente, o microempresário disse que estava tentando acalmar a mulher que estava com ele.

Justiça negou prisão preventiva

O microempresário se apresentou na delegacia na terça-feira (10), acompanhado de advogados e deixou o local cerca de três horas depois. Na sexta-feira (13), a Justiça negou o pedido de prisão preventiva contra ele. O pedido havia sido feito pela Polícia Civil.

Em decisão, a juíza Tatiana Saes Valverde Ormeleze reconheceu se tratar de um crime "de extrema gravidade". Mesmo assim, afirmou não ser possível decretar a prisão preventiva, regulamentada pelo artigo 313 do Código Processual Penal.

Questionado sobre o que espera que aconteça agora, Júnior disse que espera que a família de Marina o perdoe. "Aceite meu pedido de perdão."

Felipe Burato, marido da ciclista, disse que o homem tem que responder pelo que ele fez conforme previsto em lei. "Mas para a gente justiça não é isso. Justiça para a gente é tirar o carro como o dono da rua", disse.

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