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'Só quero justiça', diz viúva de homem negro morto no Carrefour

João Alberto Silveira Freitas e a esposa Milena Borges Alves; ele foi espancado em uma loja do Carrefour em Porto Alegre e morreu - Arquivo pessoal
João Alberto Silveira Freitas e a esposa Milena Borges Alves; ele foi espancado em uma loja do Carrefour em Porto Alegre e morreu Imagem: Arquivo pessoal

Do UOL, em São Paulo*

21/11/2020 12h32

Milena Borges Alves, viúva de João Alberto Silveira Freitas, homem negro morto após ser agredido por dois seguranças no Carrefour, em Porto Alegre, disse hoje esperar por justiça e que o marido não merecia morrer dessa forma. Freitas, 40 anos, foi velado nesta manhã na capital do Rio Grande do Sul.

"Eu não tenho nada para falar, eu só quero justiça. Só isso. Só quero que paguem o que fizeram com ele. Não merecia morrer assim", disse Milena, em declaração à Globonews.

As últimas despedidas a Beto, como ele era conhecido, foram marcadas por lágrimas e pedidos por justiça. O pai dele, o aposentado João Batista Rodrigues Freitas, de 65 anos, pediu que a discussão sobre o racismo seja incluída no currículo escolar.

"Foi uma violência brusca que tirou a vida do meu filho. Gostaria que os movimentos contra o racismo não fossem necessários, mas é preciso mudar o que esta acontecendo. Dizem que vai mudar, mas nunca muda. Isso deve começar nos bancos escolares."

Além da discussão do tema nos colégios, o aposentado pede leis mais severas.

A filha mais velha de Beto, Thaís Alexia Amaral Freitas, de 22 anos, ficou bastante emocionada ao ver o pai no caixão e não conteve as lágrimas.

"Foi uma brutalidade o que fizeram. Se quisessem conter ele, deveriam fazer de outra maneira. Não como aconteceu. A gente quer justiça."

Beto tinha quatro filhos e uma irmã.

Entenda o caso

João Alberto Silveira Freitas teria discutido com a caixa do estabelecimento e foi conduzido por seguranças da loja até o estacionamento, no andar inferior, como mostram as imagens obtidas pelo UOL. Um deles, policial militar temporário — funcionário contratado pela Brigada Militar por tempo determinado, para atividades administrativas —-, acompanhou o deslocamento, e colaborou no espancamento de Freitas.

Durante o percurso, acompanhado por uma funcionária do Carrefour, Freitas teria desferido um soco contra o PM, segundo afirmou a trabalhadora, em depoimento à polícia. A delegada responsável pelo caso, Roberta Bertoldo, já analisou as imagens completas e afirma que há, de fato, a agressão do cliente contra um dos homens.

"Ele dá sim o soco. E foi por causa desse soco que os seguranças agridem ele. Dá para ver quem ele atinge. Me parece que foi o PM (que foi atingido)", declarou a delegada. O trecho não foi repassado à imprensa.

"A partir disso começou o tumulto, e os dois agrediram ele na tentativa de contê-lo. Eles (os seguranças) chegaram a subir em cima do corpo dele, colocaram perna no pescoço ou no tórax", disse o delegado plantonista Leandro Bodoia.

Os agressores foram presos, suspeitos de homicídio doloso. A cena vem sendo comparada nas redes sociais à que aconteceu com George Floyd, que morreu sufocado por policiais nos Estados Unidos.

* Com informações da reportagem de Hygino Vasconcellos, colaboração para o UOL, em Porto Alegre

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