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Após crise da geosmina, bairros do Rio voltam a receber água suja

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio de Janeiro

25/11/2020 11h28Atualizada em 25/11/2020 11h57

Moradores dos bairros de Realengo, Praça Seca, Anchieta e Pavuna, nas zonas norte e oeste do Rio, estão sofrendo há 10 dias com água suja, com cor de barro e mau cheiro nas torneiras de casa. Em outras residências, as torneiras estão secas. A falta d'água ocorre devido à redução da capacidade de abastecimento provocada pela quebra de uma bomba da Elevatória do Lameirão que abastece, além do Rio, o município de Nilópolis, na Baixada Fluminense.

Há relatos de problemas em ao menos 15 bairros da capital: Santa Teresa e Centro (região central); Grajaú, Vila Isabel, Tijuca, Irajá, Abolição, Riachuelo, Rocha, Méier, Engenho Novo e Ricardo de Albuquerque (zona Norte); Vila Valqueire, Campo Grande e Guaratiba (zona Oeste).

A Cedae explica que a pane em uma das cinco bombas da Elevatória reduziu para 75% a capacidade de bombeamento do sistema, e por isso manobras estão sendo realizadas no sistema. Isso provoca o desabastecimento por algumas horas e, quando o bombeamento é religado, a pressão da água pode fazer com que partículas se desprendam dos canos e alterem a cor e o cheiro.

O caso acontece dez meses após uma grave crise hídrica que comprometeu o abastecimento da maioria dos bairros da capital e também de cidades da Baixada Fluminense. Na ocasião, a Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro) atribuiu a água suja e com gosto de barro à geosmina, composto orgânico produzido por bactéria que altera a cor e o gosto da água. Pesquisadores da UFRJ chegaram a contestar a conclusão da empresa, alegando que as amostras de água estavam contaminadas com esgoto e sofriam com a poluição industrial.

Água suja que saiu da torneira de uma casa no Rio de Janeiro - Reprodução/TV Globo - Reprodução/TV Globo
Água suja que saiu da torneira de uma casa no Rio de Janeiro
Imagem: Reprodução/TV Globo
Dessa vez, o problema de água suja é considerado pontual, mas as torneiras secas já afetam inúmeros bairros da capital, principalmente zona norte e oeste.

Procurada, a Cedae informou que os técnicos da empresa estão vistoriando os locais que apresentam problemas "para verificar se houve desprendimento de partículas internas da rede local em decorrência das manobras operacionais realizadas para minimizar os impactos do serviço emergencial que está em andamento na Elevatória do Lameirão".

Ainda de acordo com a empresa, caso seja identificada alteração na água, os técnicos vão providenciar descarga na rede e darão andamento ao procedimento para normalização do serviço, conforme prevê o protocolo de verificação e qualidade da Cedae.

"Caso o cliente identifique alguma alteração na água, pode entrar em contato pelo 0800-282-1195 para solicitar vistoria. Cabe informar que não há qualquer relação com algum sistema de produção de água, uma vez que se trata de solicitação de áreas localizadas (onde ocorrem ações operacionais nas redes locais) - e não da região metropolitana do Estado", disse a empresa em nota enviada à reportagem.

Segundo a Cedae, a manutenção deve ser finalizada no prazo de 20 dias. "Ainda esta semana, o laudo da perícia realizada em um dos motores dará um prazo mais preciso para conclusão do reparo", afirmou a empresa em post nas redes sociais. "É importante que a água armazenada em cisternas de reserva interna (cisterna e caixa d'água) seja utilizada somente para tarefas essenciais."

O comunicado gerou críticas à empresa.

"Vocês só avisam quando todo mundo já estava sem água, sem nenhuma consideração com a população! Não é possível que teremos que esperar 20 dias", escreveu um internauta nos comentários do post.

"Tarefas essenciais como banhos, comidas, lavar louça, dar descarga? Se não tiver água para repor, nem essas atividades serão possíveis!", reclamou outra.

Algumas pessoas ainda acusam a Cedae de beneficiar a zona Sul, já que nenhum bairro da região foi afetado pelas falhas.

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