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SP: homem confirma que agrediu idoso, mas nega que tenha se confundido

Felipe de Souza

Colaboração para o UOL, em Campinas (SP)

01/12/2020 18h44Atualizada em 02/12/2020 21h57

O homem que agrediu um idoso de 67 anos em frente à banca onde ele trabalha, no centro de Campinas, interior de São Paulo, foi ouvido e confirmou o ataque, mas vai responder em liberdade por agressão. O UOL apurou detalhes do depoimento dado na segunda-feira (30) no 1º Distrito Policial da cidade, no qual ele confirmou que se confundiu — a defesa dele, porém, rebateu esta versão em contato com a reportagem.

A identidade e idade do agressor não foram divulgadas de forma oficial, nem pelas fontes ouvidas pela reportagem. Porém, detalhes sobre o conteúdo do depoimento foram informados. Segundo fontes, o rapaz confirmou que agrediu Marco Aurélio Pereira, porque o confundiu com um outro homem que estaria assediando a noiva dele.

No depoimento, de acordo com as fontes ouvidas pela reportagem, o homem declarou que o suposto assediador também trabalha em uma banca na avenida Campos Salles, mas em outra esquina, a uma quadra de distância de onde Marco Aurélio fica.

"A menina passa todos os dias na frente da banca. Eu, como faço com todos, dou 'bom dia', mas ela nunca me respondeu. Naquele dia [no dia da agressão], ela estava com um homem. Cumprimentei como sempre faço, quando ele partiu para cima de mim", lembra Pereira, em entrevista ao UOL.

As agressões foram gravadas por uma câmera de monitoramento da banca e duraram aproximadamente três minutos. O homem chutava e xingava o idoso, o chamando de assediador, e com palavrões — inclusive ofensas racistas, segundo a vítima.

"Quando ele estava me batendo, a noiva dizia para ele que eu era preto e o outro era branco. Mesmo assim, ele ainda continuou me chutando", contou.

O rapaz foi intimado depois que a noiva prestou depoimento na semana passada na delegacia. Ele vai responder por agressão ao idoso, racismo, injúria e ameaça a menor — os filhos do dono da banca, que estavam na hora da agressão, foram ameaçados pelo homem. Um deles tem 16 anos.

"Meus filhos contaram que ele voltou dizendo que 'ia pegar' todo mundo, especialmente quem denunciasse o caso", contou Marcelo Santos Cizenando, dono da banca e patrão do idoso.

Hoje, Marco Aurélio e familiares fizeram um protesto em frente ao Palácio da Justiça de Campinas, pedindo que o agressor seja punido. Com cartazes e faixas, todos não se conformam com a lei. Como não houve flagrante, o suspeito vai responder ao processo em liberdade.

"É um absurdo isso. Meu irmão está aqui todo machucado, ainda tentando se recuperar de tudo que aconteceu, enquanto ele está livre", afirmou o irmão Eclair Agostinho Corrêa Filho.

Defesa nega que houve confusão de identidade

Em contato com o UOL, a advogada de defesa do homem, Luiza Helena Tella Leonel de Souza, contestou a fonte ouvida pela reportagem e nega que seu cliente tenha "se confundido" ao agredir Marco Aurélio.

"O acusado confessa a lesão corporal, por motivos e fatos que estão sendo apurados, mas rechaça veementemente as acusações de injúria racial e a ameaça", finalizou.

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